A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 27/10/2019

No filme “Coringa”, de 2019, o protagonista Arthur Fleck sofre de um transtorno mental que provoca severas e involuntárias crises de riso. Diante disso, é obrigado a recorrer a um sistema de atendimento psicológico deficitário, ao mesmo tempo que lida com uma série de agressões, físicas e emocionais, que o fazem sentir excluído da sociedade. Fora da ficção, o debate acerca das doenças mentais ainda é bastante falho. Assim, torna-se necessária a melhoria nos serviços direcionados a pacientes com desvios mentais, bem como sua inclusão na comunidade.

Primeiramente, nota-se a precariedade da assistência social pública no referente a pessoas com doenças mentais. Muitas vezes, as clínicas e hospitais sequer possuem profissionais ou medicamentos suficientes para atender os pacientes. Tal escassez pode configurar sérios agravamentos na condição dessas pessoas, como é mostrado em “Coringa”, podendo resultar, até mesmo, na criação de sociopatas.

Segundo o pensador Norbert Elias, as pessoas com distúrbios mentais são excluídas da sociedade. O preconceito e a incompreensão com relação à condição dessas, contribuem para uma completa marginalização. Logo, apresentam extrema dificuldade para inserirem-se no mercado de trabalho e em outras atividades sociais, o que pode acabar gerando ainda mais transtornos.

Por conseguinte, é fulcral que o Ministério da Saúde viabilize a democratização dos serviços de assistência social, por meio da contratação de psiquiatras qualificados e da plena disponibilização dos medicamentos necessários. Desse modo, mais pacientes terão acesso ao sistema, e, consequentemente, a oportunidade de se tratarem. Além disso, é viável a criação de campanhas em escolas e universidades, pela iniciativa de especialistas no assunto, com o objetivo de debater sobre a importância do acolhimento às pessoas com doenças mentais. Dessa forma, a mazela da exclusão social será amenizada e os problemas enfrentados por Arthur Fleck, diminuídos.