A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 28/10/2019

Segundo Émile Durkheim, um dos célebres teóricos do Período Oitocentista, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar mecanismos funcionais integrados. Hodiernamente, contudo, a banalização das relações humanas atua como um catalisador do aparecimento de psicopatologias, modificando a concepção contemporânea de saúde pública. Destarte, a integração entre os segmentos do “organismo biológico” não é realizada e, consequentemente, não apenas os índices de enfermidade são afetados, mas também o aprimoramento social.

A priori, é fundamental pontuar que a intensificação da ocorrência de agravos mentais é um fator histórico e conjuntural. Isso ocorre em função das modificações socioculturais emergidas pela globalização. Nesse contexto, seguindo conceitos do sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre a liquidez da modernidade, as interações dos indivíduos com seus semelhantes e o ambiente tornaram-se mais fluidas e menos concretas. Como resultado, a ausência de profundidade no contato interpessoal cria um extremo vazio íntimo e emotivo, tornando mais frequente a assiduidade das psicopatologias.

Outrossim, é indispensável destacar, ainda, que considerando-se o atual padrão de vida pautado na busca incansável por uma melhor colocação no mercado de trabalho e promoção pessoal propicia à população um ideal nunca alcançável. Por conseguinte, transtornos de ansiedade, distúrbios de pânico e depressão fazem-se presentes em um extrato social significativo, como ilustra os dados da Organização Mundial da Saúde, que mostram que, somente no Brasil, aproximadamente 20 milhões sofrem com tais disfunções, exemplificando a desarticulação entre integridade do trabalhador e as atividades exercidas.

Portanto, evidencia-se que medidas precisam ser tomadas. A fim de reverter tal situação, o Executivo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deve criar núcleos de atenção psicológica primária, fornecendo profissionais qualificados e estimulando um tratamento baseado na comunicação entre pacientes diagnosticado com quadro semelhantes, favorecendo a desconstrução da ideia de superficialidade de relações. Ademais, é necessário que os postos de trabalho disponibilizem aos seus empregados espaços de eliminação do estresse cotidiano, com o estabelecimento de salas de descanso, locais especializados de descontração e com o uso de palestras de conscientização psicossocial, atenuando a gênese de novos problemas nos funcionários. Em síntese, materializando tais medidas, o “corpo orgânico” de Durkheim estará sendo integrado em um ambiente saudável.