A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 28/10/2019

No Brasil, ao longo da história o doente mental foi alvo de curiosidade e espanto, tendo sido retratado em obras, como o Alienista, de Machado de Assis. Contudo, fora da ficção o indivíduo com transtorno mental é invisível e marginalizado, não só pelo sistema de saúde mas também pela sociedade em geral. Isso, ocorre em função de fatores históricos e sociais.

Com o advento da Reforma Psiquiátrica, os transtornos mentais e a psiquiatria ganharam destaque no Sistema Único de Saúde. No entanto, a realidade que existia, anterior a esse movimento, é cruel. Os doentes eram retirados do convívio social e levados a instituições hospitalares, que normalmente ficavam em áreas isoladas da cidade, onde permaneciam por muitos anos e em situação degradante conforme expõe o documentário “Holocausto brasileiro” que retrata o cotidiano do maior hospital psiquiátrico do país.

Ademais a doença mental carrega mitos e medos, que são responsáveis pela criação social de um padrão que acredita e coloca o portador de transtorno mental como um indivíduo perigoso, o que ajuda no processo de invisibilidade. Todavia, os estudos em psiquiatria evidenciam que há uma minoria de patologias que são associadas a comportamentos violentos, o que subsidiou uma mudança de tratamento, com menos internamentos e mais tratamentos ambulatoriais.

Tendo em vista que, segundo a ONU, as doenças mentais afetam 400 milhões de pessoas no mundo, fica claro a necessidade de discutir essas doenças. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde elabore e divulgue materiais, por meio de mídias sociais, com o objetivo de orientar e esclarecer sobre as doenças mentais, ressaltando a importância do tratamento adequado e quais as situações agravantes, para que assim as pessoas entendam sobre essas patologias e as desmistifiquem.