A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 29/10/2019
John Stuart Mill, filósofo britânico, aponta que o indivíduo é soberano sobre seu corpo e mente. No entanto, no que se observa na sociedade hodierna, é o crescimento da presença de psicopatologias, as quais apresentam inconsistência na ação humana, desenvolvendo o pensamento de que - a mente é soberana do homem. Nesse sentido, no Brasil, o fenômeno supracitado tem como precursor, ora a negligência do poder público, ora a omissão das instituições: família e escola. Assim, hão de ser analisados tais fatos, afim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro plano, urge analisar a falta de políticas públicas no contexto atual. Segundo Aristóteles, filósofo contemporâneo, a política tem a função de preservar o bem-estar das pessoas na sociedade. Essa visão, embora concreta, não se sobrepõe no cenário brasileiro, já que é evidente, muitas vez, o penoso acesso aos tratamentos de transtornos como: depressão e ansiedade. Doenças essas conhecidas como ‘‘Mal do século’’, pois afetam grande parte da população, mesmo que, não diagnosticadas. Sob essa ótica, a gradação dessas patologias são intensificadas, principalmente, pela má gestão de assistências públicas e, em geral, as precárias infraestruturas que, predominantemente, não são capazes de suportar os números necessários de pacientes. Verifica-se, portanto, a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, outro fator a salientar é o papel dos agentes sociais. De acordo com Anthony Giddens, sociólogo contemporâneo, existem duas fases no processo de socialização: a primeira pertence à família e a segunda, à escola. Nessa perspectiva, é fulcral a ação desses responsáveis, para combater o sentimento de insuficiência que, frequentemente, atuam sobre as pessoas afetadas, a fim de minimizar complexos sociais como dificuldade na interação interpessoal, baixa autoestima, problemas de comunicação, entre outros. A exemplo, ‘‘Thirteen reasons why’’, série norte americana, a qual retrata um ambiente escolar, que tenta converter as consequências do suicídio de uma aluna, na qual é motivado pelo ineficaz auxílio da escola e família.
Destarte, é mister a união entre Estado e sociedade no intuito de mostrar a essencialidade da política ativa e eficiente para eliminação dessa mazela do corpo social. Para tanto, cabe ao Governo Federal, poder executivo no âmbito da união, por meio de verbas públicas, investir em gestão e infraestrutura de postos de tratamentos, com objetivo de aumentar o acesso de indivíduos portadores de doenças mentais. Concomitantemente, os familiares e as escolas devem dar apoio psicológico a essas pessoas, por meio de conversas e palestras de saúde mental e desenvolvimento pessoal, com o propósito de coibir tais transtornos. Só assim o pensamento de John Staurt Mill terá fundamentos na atualidade.