A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 29/10/2019

Inspirado em uma história real, o filme “Nice - no coração da loucura”, retrata o preconceito e os tratamentos sofridos pelos portadores de transtornos mentais no Brasil nos anos 50. Décadas depois, milhões de brasileiros ainda sofrem com doenças, tais como a depressão e ansiedade, sem receberem o acolhimento e o tratamento necessário. Esse quadro se mantém devido ao forte tabu em torno da saúde mental, bem como o mau funcionamento do sistema de saúde no país.

Primeiramente, cabe destacar o modo como a sociedade evita falar sobre saúde mental. Na cultura brasileira, transtornos dessa ordem são considerados tabus, ou seja, assuntos socialmente reprimidos, assim como a morte e a sensualidade, segundo a teoria do psicanalista Freud. Por conseguinte, os doentes evitam procurar ajuda, por medo de sofrerem preconceitos devido à sua condição - contexto denominado “psicofobia”.

Outro aspecto relevante é a falta de estrutura para o tratamento dos doentes. Sobre isso, é importante mencionar que a saúde é considerada um direito do cidadão pela Constituição de 1988, no entanto, na prática, ainda faltam medicamentos e especialistas nos hospitais e unidades básicas da maior parte do país. Nesse sentido, com o pouco acompanhamento, os transtornos se agravam e colocam em risco a vida dos portadores, como no caso da depressão, em que, segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa tira a própria vida a cada 45 minutos.

Portanto, é preciso enfrentar as causas culturais e materiais supracitadas. Nesse sentido, cabe as empresas de comunicação, devido ao seu amplo alcance, informar a população a respeito da saúde mental. Isso deve ser feito com anúncios frequentes em redes sociais e programas de televisão, a fim de reduzir o tabu em torno do assunto no Brasil. Além disso, é preciso que o Ministério da Saúde aumente a contratação de psicólogos e psiquiatras, em programa do governo semelhante ao “Mais Médicos”. Tais contratações visam não apenas o tratamento como também a prevenção dos transtornos em questão, e consequentemente, a redução do número de suicídios no Brasil, entre outros índices. Com tal abordagem, sem preconceitos e crueldades, o país poderá enfim realizar o sonho de Nise da Silveira e outros tantos que lutaram pela saúde mental dos brasileiros.