A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 31/10/2019

Durante muito tempo, doenças mentais foram mal vistas na sociedade e, muitas delas, como a depressão, até mesmo ignoradas. Com o passar dos anos e o avanço da ciência e da tecnologia, as psicopatologias começaram a receber mais atenção e ganharam maior espaço nos debates. No entanto, ainda há um grande preconceito por parte da sociedade, dificultando a procura por ajuda e a desmarginalização desses indivíduos.

Em primeiro plano, cabe destacar que o prejulgamento torna-se um empecilho nesse contexto. Em verdade, ainda há um grande tabu em relação as doenças mentais, proveniente de um contexto histórico no qual pessoas nessa situação eram vistas como loucas e recebiam tratamentos exagerados e ineficientes, como os choques, que foram muito utilizados no século vinte. Além disso, esse preconceito enraizado compromete a procura por ajuda, uma vez que quem sofre com isso sente-se envergonhado ao procurar um psicólogo ou psiquiatra. Em consequência, segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, setenta e cinco por cento de quem sofre com essas doenças não possui tratamento adequado.

Por conseguinte, nota-se ainda, o aumento de pessoas que apresentam doenças psíquicas. Ainda de acordo com a OMS, hoje, quatrocentas milhões de pessoas são afetadas, sendo vinte e três milhões no Brasil. Com efeito e, tendo em vista que grande parte destas não usufruem de um tratamento, torna–se evidente que isso interfere de forma direta no convívio social, inclusive, hoje, doenças mentais são a principal causa de incapacitação, especialmente entre crianças. Ressalta-se também que o avanço da tecnologia e o estilo de vida acelerado, agravam ainda mais esse problema.

Portanto, urge que o Ministério da Saúde torne obrigatória a presença de psicólogos nas escolas e universidades, de forma que essas patologias sejam identificadas, primeiramente, nas crianças e adolescentes. Além disso, promover a instalação de Centros de Atendimento Psicossocial em comunidades com menos disponibilidade de recursos, a fim de promover a melhoria na qualidade de vida dos indivíduos doentes e identificá-los mais cedo. Dessa forma, essas pessoas terão um melhor desenvolvimento em sociedade, erradicando, aos poucos, o preconceito.