A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 01/11/2019

A Constituição Cidadã, de 1988, garante a todos indivíduos direito à liberdade, segurança e principalmente direito à vida. No entanto, com a ascensão das doenças mentais na sociedade contemporânea, tais como: ansiedade e depressão fizeram milhares de pessoas sofrerem diariamente. Nessa pespectiva, cabe avaliar os principais fatores para o aumento social das doenças mentais no Brasil.

É válido ressaltar, inicialmente, que entre as principais razões para o crescente número de doenças psicológicas está as relações sociais superficiais e distantes entre os indivíduos, possibilitando um aumento de doenças relacionadas à depressão e problemas de relacionamento. Nesse sentido, o grande sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, já dizia em sua obra “Modernidade líquida” que nada é duradouro e as relações humanas são passageiras, evidenciando, portanto, a fluidez da sociedade atual e, principalmente, os vínculos instáveis que tornam  as pessoas tristes e doentes mentalmente. Outrossim, essa triste realidade é traduzida em números alarmantes, como por exemplo os dados recentes do Ministério da Saúde, demonstrando que 5,5 % dos brasileiros sofrem demasiadamente com depressão. Dessa forma, há uma extrema necessidade de debater e buscar soluções para os casos de doenças mentais no Brasil, haja vista que essas enfermidades destroem a vida da população e até mesmo levam ao suicídio.

Ademais, é fundamental perceber a omissão das esferas públicas como impulsionador do problema das doenças mentais no Brasil. De maneira análoga, ao descaso governamental brasileiro a respeito dos cidadãos com doenças mentais, é observar  no conto “O Alienista”, de Machado de Assis, uma vez que a temática da ausência de ações efetivas para combater a grave insanidade mental é ineficaz em ambas as situações. Entretando, ficção à parte, é triste ver o silêncio de inúmeras instâncias sociais perante aos marginalizados da sociedade, tendo em vista que possuem doenças mentais e consequentemente são inferiorizadas e consideradas incapazes de serem reinseridos no convívio coletivo novamente.

Urge, portanto a necessidade imediata de combater a negligência social referente às pessoas com doenças mentais.Destarte,é indubitável a responsabilização e atuação do governo brasileiro, sobretudo, por meio do Ministério da Saúde em conjunto com psicólogos e psiquiátras nas escolas, universidades e empresas, disponibilizando consultas gratuitas aos cidadãos, a fim de que mostre a importância das relações humanas e sociais, no combate aos males dos problemas mentais. Por conseguinte, o Poder Público estará agindo conforme a Carta Magna de 1988, assegurando o direito à  vida dos brasileiros.