A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 01/11/2019

No limiar do século XXI, as doenças mentais aparecem como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. A partir de tal questão, muitas pessoas são expostas a situações degradantes, como a depressão. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão do poder público e da sociedade está entre as causas da problemática, uma vez que o assunto não é amplamente debatido. Diante disso, vale discutir as motivações para o aumento dos transtornos mentais na sociedade e a importância da educação para o desenvolvimento do país.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a Constituição Federal de 1988 garante proteção e assistência para todas as pessoas portadoras de transtornos mentais. Todavia, o poder público falha na efetivação desses direitos. Consoante a Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Contudo, observa-se uma deturpação de tal pressuposto. À vista disso, é importante ressaltar a precarização do sistema público de saúde como um fator que colabora para a problemática, na medida em que a oferta de profissionais capacitados em tratamento de doenças mentais é insuficiente. Por conseguinte, o diagnóstico dessas enfermidades é dificultado. Como reflexo, o resultado é uma sociedade que desconhece os sintomas dessas doenças, o que colabora com a máxima do filme “Coringa”: “A pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse”.

Em uma segunda abordagem, cabe analisar, ainda, a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. De acordo com o educador Paulo Freire, se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. A esse respeito, entretanto, as escolas brasileiras negligenciam a saúde dos estudantes ao não abordarem as implicações dos transtornos mentais na vida de um indivíduo. De encontro a esse cenário, estudos da plataforma “on-line” voltada para a saúde mental, Vittude, indicam que 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental, como ansiedade e depressão, mas apenas 19% dessas pessoas fazem algum tipo de tratamento. Nesse sentido, esse descompasso ocorre porque a maior parte da parcela desconhece os sintomas.

Portanto, medidas são necessárias para combater os transtornos mentais. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde solicitar o direcionamento de, ao menos, 7% das arrecadações das prefeituras para a capacitação de profissionais especializados no tratamento de doenças mentais, que deverão atuar em postos de saúde e em escolas. Ademais, por meio de palestras, será possível propor a reflexão da sociedade sobre a necessidade os malefícios dessas doenças à saúde. Com isso, o diálogo, como previsto por Sócrates, será capaz de resolver os conflitos da mente humana.