A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 02/11/2019

A falta de atendimento psicológico público e o afastamento social são alguns dos fatores que contribuem para o crescente número de vítimas de doenças mentais no Brasil. É possível evidenciar essa realidade a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde, que apontam que cerca de 86% da população brasileira possuem algum tipo de transtorno mental. Esse contexto representa um grave problema de saúde pública por provocar danos aos âmbitos físicos e sociais. Logo, a necessidade de debater e  remediar tal questão é imprescindível.

Primeiramente, a falta de atendimento psicológico gratuito é um fator que propicia o surgimento de doenças mentais. Segundo o filósofo Byung-Chul Han, no século XXI, devido ao modelo capitalista de produção acelerado e competitivo, os indivíduos vivem uma conjuntura de superprodução, superdesempenho e supercomunicação. Posto isso, essas pessoas pressionadas a apresentar altos níveis de desempenho no trabalho, na escola e na sociedade tendem a sucumbir-se no esgotamento físico e mental. Sendo assim, a escassez de auxilio público no acompanhamento e tratamento desses indivíduos já vulneráveis devido a essa irritação exacerbada, favorece o surgimento ou agravamento do estresse crônico e da ansiedade, por exemplo, sintomas precursores da depressão e outras doenças.

Em segunda análise, o distanciamento social é outro agravante em se tratando da saúde mental da população. A esse respeito, o termo Modernidade Líquida, cunhado pelo filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, discorre sobre a fluidez e volatilidade das relações sociais pós mundo globalizado. Esse cenário, conforme o autor, descreve os cidadãos como responsáveis solitários pelo sucesso e fracasso de suas próprias vidas. Nessa perspectiva, esse afastamento entre os indivíduos pode gerar diversos impactos maléficos à saúde mental desses. Tais efeitos são comprovados com base em um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, que mostra que a solidão pode aumentar em 40% a chance de uma pessoa desenvolver fatores de risco para doenças neurodegenerativas, tais como a depressão, a hipertensão e a diabetes.

Portanto,  é importante que medidas sejam tomadas para solucionar esse problema. É preciso que o Ministério da Saúde assegure à sociedade o acesso ao tratamento psicológico adequado, por meio de investimentos no SUS, Sistema Único de Saúde, disponibilizando profissionais capacitados como psicólogos e psiquiatras, para atender de forma eficiente e afirmar o tratamento dessas pessoas. Outrossim, cabe ao Governo oferecer projetos que fomentem a interação e o diálogo, tais como a prática de esporte coletivo, para, assim, garantir a saúde mental plena de toda a população.