A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 13/11/2019

Platão, filósofo grego, afirma, por meio do Mito da caverna, que o conhecimento na Terra são sombras e defende a importância da investigação filosófica na apreensão da realidade. No século XXI, alguns temas ainda reforçam essa ideia. A reflexão acerca da necessidade de debater as doenças mentais encaixa-se em tal cenário. Isso se deve, sobretudo, por causa da inoperância do Estado, bem como indiferença de uma parcela da sociedade. Destarte, é salutar solucionar esse óbice.

Vale ressaltar de início, que a inércia governamental corrobora para a manutenção desse panorama. Apesar do consagrado psiquiatra Augusto Cury enfatizar, em seu livro “O funcionamento da mente”, que a ansiedade, em poucos anos, desbancará a depressão e passará a ser a patologia que mais desafiará a psicologia, não se vê políticas públicas preventivas com o fito de mitigar esse problema. Essa conjuntura, de acordo com o contratualista John Locke, configura-se como uma violação do contrato social, tendo em vista que muitos cidadãos não são capazes de gozar de direitos imprescindíveis (como a saúde).

Ademais, uma parte do corpo social é indiferente com a temática. Conforme Zygmunt Bauman, em sua obra “O amor líquido”, as relações sociais são efêmeras, voláteis e instáveis. Sob esse viés, a repercussão da necessidade de debate sobre doenças mentais não atinge aqueles cujos entes não se encontram diagnosticados com essa enfermidade, o que caracteriza-se como uma ausência de alteridade pelos brasileiros. Assim, o fato supracitado torna-se um obstáculo a ser contornado.

Diante do exposto, medidas são essenciais para resolver esse entrave. Cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por gerir assuntos nacionais pertinentes à saúde,  por meio de parceria com as universidades federais, oferecer sessões gratuitas de terapia para a população, a fim de atenuar os impactos das doenças mentais. Outrossim, o Ministério da Educação deve inserir em sua grade curricular a disciplina saúde mental, com a finalidade formar um sociedade saudável e livre desse estigma.