A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 04/12/2019
Com advento da sociedade baseada no mercado, a competitividade é a motivação para a busca pela perfeição e a celebração de “vidas perfeitas”. A criação desse ideal traça um padrão de comportamento social uniformizante que ajuda a estigmatizar doenças mentais. Nesse sentido, debater sobre a saúde mental auxilia no diagnóstico e no tratamento de doenças psiquiátricas.
É primordial ressaltar que fora do meio médico, as doenças psiquiátricas continuam sendo encaradas como sinal de fraqueza, incompetência, frescura e às vezes reunidas sob o termo genérico e inferiorizante da “loucura”. Tal como, descreve o personagem Coringa em seu caderno de piada: “A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse". Com efeito, é fácil negar que os distúrbios mentais não estão ao redor, o que ocorre em parte porque, muitas vezes, a saúde mental não é vista como parte da saúde física. Se conversa sobre o novo treino na academia com amigos, por que não falar sobre ansiedade e depressão?
Segundo a psicóloga Tatiane Paula Souza, as doenças psiquiátricas não são levadas a sério porque não são palpáveis e visíveis, como um osso quebrado ou uma enfermidade de pele, por exemplo. “Quando se tem depressão, pacientes são tachados de preguiçosos e pessimistas, e o medo de um rótulo faz com que muitos não procurem tratamento. Só passamos a acreditar que algo realmente está errado quando o pior acontece.” Como o caso da cantora de K-pop Sulli, que foi encontrada morta em casa. Considerada figura polêmica por debater sobre o feminismo e não representar em suas redes sociais o papel de validação da vida perfeita e criar um ambiente em tudo deve ser mostrado em seu melhor ângulo.
Fica claro, a necessidade de debater sobre doenças mentais em uma sociedade que sofre com a Síndrome da Perfeição e ver sinais de transtornos como fraqueza. Dessa forma, é imprescindível que a escola, as empresas e o ambiente profissional desenvolvam a promoção de ações educativas com palestras que auxiliem a quebra do estigma de não falar sobre a saúde mental. E como o apoio da Organização Mundial da Saúde abra-se espaço para serviços psicossociais com atendimento mais humanitário e sem internações compulsórias, que só se dariam em casos extremos por ordem médica.