A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 09/05/2020
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para os indivíduos que sofrem com as doenças mentais. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por essas pessoas, a má influência midiática e a banalização desses distúrbios acabam por contribuir com a situação atual.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o problema é agravado pela má influência da mídia. Conforme Pierre Bourdieu, um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influência na consolidação do problema, não trazendo a representatividade ao enfrentamento à essas psicopatias. Desse modo, muitas pessoas, não possuem conhecimento de como por exemplo, prevenir ou tratar essas doenças, que por conseguinte, de acordo com a Organização das Nações Unidas, 85% das pessoas que sofrem desses males não realizam tratamentos.
Ademais, é imperativo ressaltar a banalização desses surtos como promotora do problema. Diante de tal mediocrização, feita, frequentemente, tanto pelas próprias famílias, que chamam essas doenças de preguiça, ou mesmo frescura, o que amplia ainda mais a problemática, quanto das escolas que, abrangem esses distúrbios com menor importância em relação às outras doenças, e ainda não conscientizando os alunos da maneira adequada. Ora, pode-se dizer, portanto, como antiéticas as ações realizadas pelos familiares, sistemas de ensino e pela mídia, que não visam a integridade psicológica de quem sofre com esses distúrbios.
Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Destarte, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre as doenças mentais, no contexto brasileiro. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá, com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Desse modo, talvez, será possível aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por esses indivíduos.