A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 13/05/2020

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 40 segundos, em média, uma pessoa comete suicídio no mundo. Nesse sentido, o cenário preocupante, como destacado pelas indicações da organização, é um reflexo direto da necessidade de intervenção no espectro que envolve a saúde mental na modernidade. Em razão disso, torna-se imprescindível a discussão do problema de maneira a preconizar o combate aos estigmas sociais que envolvem o assunto e, sobretudo, incentivar a pesquisa e o direcionamento científico para o tratamento de doentes.

A priori, a resistência em procurar tratamento médico, em razão dos ultrapassados preconceitos envolvidos no assunto, é um significativo empecilho para a superação do estigma que envolve a temática. Apesar do louvável trabalho da psiquiatra brasileira Nise Silveira, que lutou bravamente a favor dos direitos de doentes mentais e no que concerne ao modo como essas pessoas são vistas, o Brasil ainda precisa continuar a insistir no aspecto de superação dessas convenções. As obras dos pacientes da psiquiatra que, inclusive, mantinha grande apreço pelos trabalhos de Freud, estão expostas no Museu do Inconsciente, no Rio de Janeiro, e estimulam, como na época, uma reflexão acerca dessa temática tão necessária.

Ademais, a necessidade de amparar a pesquisa científica direcionada a novas metodologias de tratamento para doenças que, como no caso da esquizofrenia, não têm cura ou são consideravelmente instáveis, delata importância de conceber debate e visibilidade à questão. De acordo com o partido da Vox, testes preliminares no tratamento de pessoas com TOC (Transtorno Obsessivo Complusivo), a partir do uso de drogas psicostimulantes, se mostraram bem sucedidos no combate aos característicos impulsos da doença. Contudo, o pouco engajamento popular e farmacêutico no assunto impede a visibilidade necessária para maiores avanços no setor.

Desse modo, tornar as doenças mentais um objeto de discussão ativa é fundamental para ambos a ampliação do alcance no tratamento de indivíduos e o avanço desses mesmos métodos. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Saúde, em associação com o MEC (Ministério da Educação), tornar a saúde mental um assunto obrigatório nos livros didáticos em escolas públicas brasileiras de maneira a inserir o debate e conscientização como norma  educativa. Tal medida, associada à disponibilização de bolsas CNPq’s a pesquisadores interessados em imergir na temática, tem o potencial de providenciar, no país, o necessário reconhecimento do assunto e a melhoria na qualidade de vida de todos os brasileiros, afetados ou não por alguma doença de ordem psicológica.