A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 20/05/2020

Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a questão das doenças mentais no Brasil, percebe-se que esse ideal é contestado. Neste contexto, deve-se analisar como a omissão das escolas e a negligência governamental colaboram para a permanência da doença na sociedade.

Mormente, a ausência escolar no debate sobre a saúde mental é o principal fator responsável para a problemática. Tal fato ocorre porque não há, por parte das autoridades escolares, a preocupação em contratar profissionais especializados, principalmente nas escolas públicas, para conversar e cuidar da saúde mental dos estudantes. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ’’ Amor líquido ‘’,  na sociedade é marcada pela liquidez, os indivíduos buscam não se envolverem nas relações interpessoais que desenvolvem ao logo da vida. Logo, por consequência da falta de afeto entre as pessoas e do desamparo das escolas, muitos alunos passam por problemas como ansiedade, crise de pânico, depressão e em alguns casos, suicídio.

Outrossim, a inobservância do Governo é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque os governantes não se preocupam em incentivar e discutir sobre as doenças mentais nos grandes canais de comunicação e nas redes sociais. Além disso, não há a distribuição adequada de psicólogos e psiquiatras em todos os estados brasileiros. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Bourdieu, existem ’’ Violências Simbólicas ‘’, nas quais a classe dominante exclui e ao mesmo tempo silencia, naturalizando determinada distorção. Assim, consequentemente, o direito à saúde assegurado pela Constituição de 1988 é negado aos cidadãos.

Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto,o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve, por meio da elaboração de um projeto educacional, discutir com os alunos sobre a necessidade de conversar com um profissional competente constantemente. Além disso, os diretores escolares devem contratar psicólogos para atender gratuitamente os estudantes, a fim de não só ajudar as crianças e os adolescentes, como também formar alunos que se preocupam com o próximo. Ademais o Governo Federal, em parceria com o Poder Legislativo, deve contratar psicólogos, distribuí-los para todas as regiões brasileiras e fiscalizá-los, com o viés de atender o maior número de pessoas de forma gratuita e de qualidade, além de elaborar uma propaganda obrigatória nos grandes canais que discuta e incentive os brasileiros a procurarem ajuda.