A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 28/05/2020
De acordo com a obra “Sociedade do Cansaço” do filósofo sul-coreano, Byung-Chul Han, a sociedade vive em um capitalismo desenfreado, o que provoca exaustão, doenças mentais e a imposição de demandas globais. Nesse sentido, o ser humano é obrigado a encaixar-se em uma sociedade positivista, de modo que a fragilização interna do ser é vista como irrelevante frente ao entusiasmo econômico e que as relações familiares sejam cada vez mais apáticas. Desse modo, as doenças mentais são banalizadas pela sociedade e fomentadas pela fragilidade das relações humanas.
A princípio, considera-se que não há diálogo entres os membros de uma mesma família sobre as frustrações pessoais e sobrecargas de cada um. Isso ocorre porque as relações tornaram-se mais descartáveis e superficiais, conforme o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, visto que ocorreram mudanças nos meios tecnológicos e sociais baseadas nas relações econômicas, de forma que o mais importante para cada indivíduo passou a ser o seu próprio status econômico e a sua ascensão social. Um exemplo disso é a forma como a comunicação familiar se baseia muito mais no meio eletrônico e de maneira impessoal do que no convívio direto entre os membros. Dessa forma, esse tipo de relação superficial aumenta a incidência de doenças mentais, já que todas frustrações são internalizadas.
Ademais, ressalta-se que, no poema “Os ombros que suportam o mundo” de Drummond, é relatado a banalização do sofrimento e a falta de empatia nas relações contemporâneas. Essas fazem com que a manifestação de doenças mentais seja facilitada, uma vez que as relações humanas estão degradando-se em função do individualismo - há um foco excessivo no acúmulo de capital tamanho que a dor e fadiga do próximo tornem-se irrelevantes e nocivas ao desempenho econômico. Por exemplo, muitas empresas exigem o máximo esforço de funcionários exaustos, os quais direcionam a vida ao trabalho e com tempo mínimo de descanso. Dessa maneira, a competição e a lógica capitalista banalizam o psicológico do trabalhador totalmente cansado e frustrado.
Portanto, a fim de diminuir a incidência de doenças mentais, primeiramente, cabe a família dinamizar a conivência entre seus membros, por meio do diálogo e atividades familiares conjuntas, que possibilitarão maior abertura e proximidade entre eles. Outrossim, cada instituição deve estabelecer atividades diárias de relaxamento, por intermédio de táticas de meditação e ioga, as quais devem ocorrer por um tempo pré-estabelecido e durante o turno trabalhista, para que os seus funcionários consigam trabalhar emocionalmente bem. Assim, a sociedade do cansaço relatada por Byung-Chul Han tornar-se-á menos impessoal e com menos indivíduos depressivos e ansiosos.