A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 09/06/2020
O documentário “Holocausto brasileiro” retrata a história de uma hospital, que durou cerca de 80 anos em Barbacena, na qual pessoas consideradas loucas eram mandadas para lá pelas famílias, de modo a serem tratadas de forma desumana e com descaso. Nesse contexto, até hoje doenças mentais são tratadas como tabu por grande parte da sociedade, dificultando o debate sobre o assunto. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar a banalização da saúde neurológica e a influência do sistema capitalista, bem como as consequência vigentes no Brasil.
Em primeiro lugar, vale lembrar que 80% da população brasileira possui algum transtorno mental. Entretanto, diversas pessoas não se preocupam com esse assunto, ou consideram como “frescura”, muitas vezes devido ao status de “louco” que vigora na sociedade, uma vez que na Idade Média as pessoas que possuíam doenças mentais eram consideradas demoníacas. Além disso, há indivíduos que possuem sintomas, porém, não têm conhecimento sobre essa área da saúde, logo, não procuram ajuda. Ademais, outro fator que impede o tratamento de pacientes necessitados, é o alto custo dos medicamentos e profissionais especializados, que nem sempre são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em segundo lugar, o ritmo frenético do capitalismo, faz com que as pessoas trabalhem cada vez mais e tenham menos tempo para cuidar da saúde, e nesse cenário, problemas como ansiedade e depressão tonam-se mais recorrentes, não só em adultos, como também em adolescentes. Outrossim, as dificuldades encontradas junto à problemas neurológicos sem tratamento adequando, fazem com que indivíduos busquem tirar a própria vida. Nesse sentido, para August Cury, a pessoa que pensa em suicídio quer matar a dor, mas não a vida. Logo, constata-se que apesar da frequência, essa atitude ainda é considerada um tabu e não é discutida dentro das casas. Destarte, de acordo com o Ministério da Saúde, o suicídio representa a quarta causa de morte entre adolescentes.
Diante dos fatos supracitados, conclui-se que medidas devem ser tomadas para propagar esse assunto na sociedade. Logo, urge que o governo por meio do Ministério da Saúde, veicule propagandas em redes sociais e televisão, com dados impactantes sobre as doenças mentais e o quantitativo de consequências acerca delas no Brasil, como o suicídio, de modo a influenciar o debate dentro das residências, bem como transmitir conhecimento e fazer com que muitos indivíduos busquem tratamento. Somando a isso, deve-se melhorar o atendimento do Sistema Único de Saúde no âmbito de saúde mental, através do aumento de profissionais adequados, como psiquiatras e neurologistas, bem como distribuir todo medicamento necessário, para que as pessoas tenham o amparo necessário e impeça futuros trágicos.