A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 11/06/2020
O documentário “Holocausto brasileiro” retrata a história de um hospital, que durou cerca de 80 anos em Barbacena, na qual pessoas consideradas loucas eram mandadas para lá pelas famílias, de modo a serem tratadas de forma desumana e com descaso. Nesse contexto, até hoje doenças mentais são tratadas como tabu por grande parte da sociedade, dificultando o debate sobre o assunto. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar a banalização da saúde neurológica e a influência do sistema capitalista, bem como as consequência vigentes no Brasil.
Em primeiro lugar, vale lembrar que quanto mais se fala de determinado assunto, menos preconceito. Entretanto, diversas pessoas não se preocupam com essa temática, ou consideram “frescura”, muitas vezes devido ao status de “louco” que vigora na sociedade, uma vez que na Idade Média as pessoas que possuí doenças mentais eram consideradas demoníacas. Além disso, há muitas pessoas que possuem sintomas, porém, não têm conhecimento sobre essa área da saúde, logo, não procuram ajuda. Ademais, outro fator que impede o tratamento de pacientes necessitados, é o alto custo dos medicamentos e profissionais especializados, que nem sempre são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em segundo lugar, o ritmo frenético do capitalismo, faz com que as pessoas trabalhem cada vez mais e desenvolva problemas mentais, como ansiedade e depressão. Desse modo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui o maior número de pessoas ansiosas, somando 9,3%. Destarte, o ambiente de trabalho normalmente é responsável por gerar pressão emocional e stress excessivo, que pode resultar na Síndrome de Burnout. Outrossim, as dificuldades encontradas junto a problemas neurológicos sem tratamento adequando, fazem com que indivíduos busquem tirar a própria vida.
Diante dos fatos supracitados, conclui-se que medidas devem ser tomadas para propagar esse assunto na sociedade. Logo, urge que o governo, por meio do Ministério da Saúde, veicule propagandas em redes sociais e televisão, com dados impactantes sobre as doenças mentais e o quantitativo de consequências acerca delas no Brasil, como o suicídio, de modo a influenciar o debate dentro das residências, bem como transmitir conhecimento e fazer com que muitos indivíduos deem importância e busquem tratamento. Somando a isso, deve-se melhorar o atendimento do Sistema Único de Saúde no âmbito de saúde mental, por meio do aumento de profissionais adequados, como psiquiatras e neurologistas, bem como distribuir todo medicamento necessário, para que as pessoas tenham o amparo necessário e impeça futuros trágicos.