A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 27/06/2020
Saúde mental: o desafio do século XXI
No filme " O lado bom da vida", estrelado por Bradley Cooper, é retratada a vida de Pat, um professor de história que perde o emprego e o casamento em decorrência de ser portador do Transtorno Afetivo Bipolar. Nesse sentido, a trama foca no árduo processo de restruturação e reintegração do personagem após ser liberado de um sanatório. Fora da ficção, é fato que a realidade revelada pelo longa pode ser relacionada ao Brasil atual: gradativamente, patologias psicológicas vêm ganhando espaço no corpo social. Sendo assim, faz-se mister compreender como a sociedade contemporânea e o preconceito a respeito dessas doenças mentais contribuem para a propagação delas no território nacional.
Em primeiro plano, menciona-se o processo histórico de consolidação da discriminação dos distúrbios psiquiátricos. Diante dessa perspectiva, tem-se a Idade Média europeia, durante a qual enfermos intelectuais eram considerados criaturas demoníacas e, portanto, eram assassinados ou completamente afastados da comunidade. Essa visão negativa perdurou durante os séculos e, na década de 1960, foi responsável pelo holocausto brasileiro que matou 60 mil pacientes do Hospital Colônia, um manicômio marcado por uma realidade subumana e genocida que funcionava como um higienizador social, eliminando aqueles taxados de loucos.
Além disso, o corpo social moderno configura um fator propulsor das patologias psicológicas. Nesse contexto, há a fala do filósofo Aristóteles, o qual pontuou ser o homem um animal social, exibindo a necessidade humana de conviver. No entanto, essa priomordialidade é violada nos dias atuais, visto que, segundo Zygmunt Bauman, vive-se, atualmente, em uma sociedade pautada em fluidas relações sociais. Dessarte, esse individualismo exposto atenta contra a coletividade, essencial ao indivíduo, que, se sentindo incompleto e desamparado, torna-se vulnerável ao desenvolvimento de doenças mentais. Logo, é notório como o debate acerca dos distúrbios intelectuais desmistificaria essas mazelas.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas a fim de reduzir os danos causados pelos transtornos psiquiátricos. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve assegurar o acesso a tratamentos psicoterápicos a todos os cidadãos, como é previsto no Artigo 196 da Constituição Federal. Isso seria possível por meio da parceria com os municípios e melhoraria as condições de vida desses pacientes. Ademais, ONGs, a partir da cooperação com a mídia, precisam realizar campanhas educacionais que despertem o senso crítico da população acerca da importância de se auxiliar os doentes, quebrando o estereótipo que marginaliza esses enfermos, como é feito por intermédio da ação “Setembro Amarelo”. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais harmoniosa e distante daquela de “O lado bom da vida”.