A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 20/07/2020
Bauman,grande sociólogo polonês, aponta para uma verdade incontestável de que,em contraponto às bases sólidas das sociedades anteriores,a liquidez das relações é a marca da contemporaneidade.Dessarte,infere-se que,nessa sociedade supérflua em que se faz presente diversos imbróglios,questões globalizadas sempre despertam interesse generalizado,sobretudo no que tange à saúde,destacando-se a importância de debates efetivos sobre as doenças mentais,ora pela formação de um tabu social,ora pelo agravamento dos índices alarmantes do sistema público de saúde.
Em primeira análise,nota-se que,concomitante a diversas doenças sexuais incuráveis,os transtornos mentais configuram-se como motivo de constrangimento das vítimas perante à vida social,formando um tipo de tabu em que os doentes se afastam da comunidade gradativamente para camuflarem seus sentimentos.No livro “Holocausto Brasileiro”,da autora Daniela Arbex,tal perspectiva é amplamente discutida sob os relatos dos funcionários do maior manicômio do Brasil,ligados diretamente ao funcionamento do local, sobre o que foi o genocídio de milhares de doentes mentais em Barbacena;mostrando-se o que de fato é a realidade de quem sofre distúrbios neurais.
Consequentemente, o superávit no número de casos psicossociais no século XXI gera um grande impacto no sistema único de saúde-SUS-ocasionando,assim, a difícil situação da escolha entre diferentes casos para receberem atendimentos adequados.Desse modo,em uma conjuntura social que almeja combater grandezas como essa,faz-se necessário não apenas debates frívolos,mas ações factíveis que possam,direta ou indiretamente,amenizar a problemática em questão.Contudo,não se pode nem aventar a hipótese de negligenciá-lo,uma vez que,Aldous Huxley,literato inglês,já afirmara que os fatos não deixam de existir só por serem ignorados.
Portanto,faz-se mister medidas assertivas que combatam tal situação.Logo,o Governo Federal,por intermédio do Ministério da Saúde,deve inserir todas doenças psíquicas no quadro nacional de alto risco,incentivando o desmanche do anseio de constrangimento com a rápida divulgação dos sintomas para melhor eficiência de cura,por meio de políticas públicas e ações privadas,subsidiando empresas televisivas que se dispõem a divulgar,em horário nobre, os índices de vítimas que sobreviveriam com o diagnóstico precoce.Por fim,espera-se que assim,atentando aos propostos ativos de Huxley,minimizar-se-á os casos de doenças psicológicas no Brasil.