A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 11/08/2020
O Brasil vive uma crise em relação aos diagnósticos de transtornos mentais persistente em toda sua sociedade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é hoje o segundo país na América com o maior número de pessoas ansiosas e depressivas que se recusam a procurar ajuda ou acreditar no que estão enfrentando. Essa situação nefasta ocorre não somente pela constante associação de problemas mentais com fraqueza ou frescuras, como também pela falta de esclarecimento de tais questões direcionada a população.
Em primeira análise, é preciso salientar como o Brasil vive uma cultura onde a banalização de transtornos mentais começa muitas vezes dentro de casa. Em 2019 o famoso youtuber brasileiro Whinderson Nunes, comoveu o público ao revelar sua luta contra a depressão, ressaltando como viver em um lar onde essa era tratada como uma fraqueza o levou a adiar a sua busca por ajuda. Seu desabafo agitou as redes sociais, levantando uma discussão sobre a maneira em que essas situações são abordadas dentro de casa, levando vários jovens a confessar como apenas chegar à beira do precipício fez com que seus familiares percebessem a gravidade do problema. Desse modo, é possível perceber como a constante associação desses problemas com outras banalidades acaba por silenciar aqueles que sofrem, os levando acreditar que podem ter controle de dada situação sem nenhuma ajuda profissional, podendo agravar suas situações.
Paralelo a isso, tem-se a ausência de maiores esclarecimentos por parte do Estado sobre os diferentes tipos de transtornos mentais e suas manifestações, o que acaba por aumentar não somente a ignorância de grande parte da população sobre o assunto, como também o sofrimento daqueles que não sabem que precisam de ajuda. Em consonância com a psicóloga Laura Jones, é preciso uma reconstrução completa na forma em que a sociedade lida com esses transtornos, pois elas afetam diferentes áreas do corpo, podendo confundir até médicos, se não preparados a reconhecer essas situações. De tal forma, negligenciar os esclarecimentos é colocar em risco não apenas a saúde mental, mas também física.
Depreende-se, portanto, a necessidade do Ministério da Educação implantar ainda na educação básica discussões acerca dos transtornos mentais, por meio da introdução de psicólogos no ambiente escolar, com constante monitoramento e palestras educativas que envolvam os pais e membros da comunidade. Além disso, é preciso que o Ministério da Saúde amplie suas campanhas de informações sobre o assunto, por intermédio da divulgação nos maiores meios de comunicação. Espera-se, com o conjunto dessas ações, aumentar as discussões sobre os transtornos mentais e suas complicações.