A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 15/08/2020
Aclamado pelo público, o filme Coringa de 2019 ganhou seu espaço em meio à crítica ao ultrapassar as barreiras de um filme comum de vilão e retratar temas reais, como doenças mentais e a maneira como isso afetou a vida do personagem principal. Contudo, tal cenário apresentado desvia-se das telas e adentra cada vez mais à realidade de milhares de brasileiros, os quais sem tratamento adequado sofrem agravamentos na saúde mental. Nesse contexto, seja por questões de cunho social ou genético, a saúde mental no Brasil requer cuidados devido a inúmeros desafios a serem superados.
O termo saúde mental é usado para descrever um nível de qualidade cognitiva ou emocional e pode ser afetado por diversos fatores. Dessa forma, a atuação dos setores midiáticos no que concerne à propagação de padrões atua como agente atenuante da problemática analisada, uma vez que em muitos casos criam realidades utópicas ao alcance populacional. Assim, essa busca incessante pela perfeição exposta na mídia pode ocasionar uma vida de aparências e uma insatisfação na vida pessoal quando a mesma não é alcançada. Esse cenário influencia o aparecimento de psicopatologias, como ansiedade, transtornos obsessivos, bipolaridade e depressão, as quais associadas ao estresse e do mundo moderno podem levar até mesmo ao suicídio.
Consoante ao pai da psicanálise, Sigmund Freud, um determinado indivíduo ao sofrer danos psicológicos busca um profissional para que o mesmo solucione seus problemas, mesmo que não se saiba suas razões. Entretanto, muitas vezes o tabu imposto socialmente acerca das doenças mentais, banalizando as mesmas e estigmatizando quem as possui, interfere no processo de obtenção de ajuda do paciente. Ademais, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, apenas três por cento da verba mensal direcionada a postos públicos é destinada a centros de ajuda psicossociais, dificultando o acesso a tratamento médico adequado para todos que necessitam.
Assim, diante do exposto é nítida a necessidade de apresentar o assunto saúde mental como de extrema emergência a ser tratado. Portanto, cabe aos agentes midiáticos promover propagandas que rompam com o padrão vigente, apresentando pessoas que representem a pluralidade brasileira, aumentando a aceitação da diversidade sociocultural e rompendo com o ideal de perfeição imposto. Outrossim, cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde, disponibilizar profissionais capacitados e os medicamentos necessários para que possa fornecer o tratamento adequado para toda população necessitada, evitando o agravamento do quadro mental e a ruptura acerca do tabu sob essas doenças. Somente assim poderá ser amenizada tal problemática, evitando assim a marginalização social dessas pessoas e a formação de “Coringas” na sociedade como no filme de Toddy Philips.