A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/08/2020

No romance nonocentista,“Quincas Borba”, do escritor carioca Machado de Assis, retrata-se a vida de Rubião, natural de Barbacena, cujo enredo inicia ao tornar-se o  herdeiro universal da fortuna de seu finado amigo.  Ao decorrer da obra, o mineiro é internado em uma casa psiquiátrica sem o acompanhamento médico e diagnóstico necessários, após desenvolver confusões mentais que resultam em delírios. Por analogia, na contemporaneidade, faz-se imprescindível o estudo e debate acerca de doenças psíquicas, a fim de tratá-las de maneira adequada, além de garantir que o enfermo seja incluído na sociedade com as devidas adaptações.

A priori, deve-se destacar que com os avanços científicos do século XXI, as informações quanto às doenças, tanto mentais, quanto físicas, tornaram-se mais acessíveis. Entretanto, ainda é recorrente a falta de conhecimento neste âmbito, exemplo disso é observado no reality show “Amor no Espectro”,

produzido pela “Netflix”, empresa provedora de filmes e séries no mundo inteiro, onde, além de buscarem relacionamentos amorosos,  alguns dos jovens autistas relatam que seus pais desconfiaram

da condição somente após a terceira infância (dos 6 aos 12 anos). Por isso, é inegável que  o debate frequente dessa e de outras doenças mentais  auxiliaria na descoberta, por meio dos parentes próximos, uma vez que estariam familiarizados com o autismo e seus sintomas e, consequentemente, obteriam o diagnóstico médico  precocemente, adiantariam o  tratamento e evitariam a progressão acelerada  da doença nas crianças.

Ademais, com o acompanhamento profissional desde a infância, a integração social desses indivíduos ocorre de maneira responsável, evita-se assim, situações de preconceito e exclusão. Por esse viés, na animação da companhia norte-americana “Pixar”, “Procurando Dory”, vê-se um convívio saudável e respeitoso entre os peixes: Dory e Marlin. Uma vez que, Dory já tem ciência sobre sua amnésia anterógrada, o amigo a apoia e ajuda nas interações com outros seres aquáticos. Da mesma maneira, para que as relações interpessoais não sejam prejudiciais para a saúde mental dos doentes é essencial a compreensão e amparo de outras pessoas.

Em suma, para que o tratamento de distúrbios mentais comece com antecedência e os enfermos não sejam vistos pejorativamente, o conhecimento social sobre eles é inadiável. Para que isso ocorra, os Ministérios da Saúde e Educação devem intervir com eventos informativos nas escolas brasileiras, em que psicólogos e pacientes dão seus relatos para os estudantes entenderem sobre as doenças mentais mais recorrentes no país . Dessa forma, a camada educacional básica se informaria, e por conseguinte, toda a sociedade. Somente assim, os enfermos teriam suas condições respeitadas.