A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 26/09/2020

Desde o surgimento de manicômios na década de 80, os conceitos a respeito das pessoas com transtornos mentais foram deturpados, o que resultou em estereótipos negativos, como loucos e dementes. Tal preconceito, enraizado na sociedade, persiste na atualidade e reflete principalmente nos jovens brasileiros. Diante dos fatos cabe reavaliar as mazelas que favorecem esse quadro.

Em primeiro plano, vale salientar as consequências de negligenciar a saúde mental. Assim como em “Thirteen reasons why”, a falta do tratamento pode agravar o cenário, a ponto de que enxerguem a morte como solução. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda causa mais comum de morte entre jovens, e 90% dos casos poderiam ser evitados. Desse modo, é imprescindível a conscientização acerca do problema e normalização da busca por ajuda profissional.

Outrossim, cabe discutir a falsa realidade do cotidiano da população. A exemplo disso, em “Queda livre”, episódio de “Black Mirror”, a personagem vive em um mundo de aparências, em que é preciso estar sempre bem, e isso acaba com sua saúde mental. Defendido por Bauman, a contemporaneidade requer um empenho maior para que se alcance os resultados esperados, além da necessidade da exposição em redes sociais, em que surgem comparativos de felicidade. Enfim, é notável a desumanização e a toxicidade de imposições inconcebíveis, dos quais os indivíduos estão mentalmente expostos.

Infere-se, portanto, que há entraves para amenizar o problema. Faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, capacite professores para identificar quando os alunos precisam de atendimento especializado, já que a falta de suporte é comum entre os jovens. Isso ocorrerá por meio de palestras com profissionais, que devem abordar como normalizar a discussão sobre o tema e o encaminhamento para um profissional, se necessário. Dessa forma, a população irá aprender a respeitar e ajudar o próximo, livre de preconceitos.