A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 21/09/2020
De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com transtornos mentais ultrapassam 400 milhões e 85% desses não tem acesso aos tratamentos adequados. Esses números demonstram que o aumento das doenças mentais é um problema complexo que emerge no contexto mundial. Diante disso, faz-se imprescindível a análise da falta de debate e da competitividade como causas corroborantes da problemática.
Sob esse viés, é imperioso entender, a princípio, como o silenciamento contribui para a consolidação do impasse abordado. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o problema das doenças mentais: depressão e ansiedade, por exemplo, seja resolvido, é fundamental debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, dificultando, inclusive, o auxílio da coletividade em lidar com pessoas que estão passando por essa situação desafiadora. Assim, trazer os distúrbios de mentais à pauta e debate-lo amplamente aumentaria a chance de, até mesmo, o corpo social atuar nele.
Outro ponto importante a se tratar é a competitividade exacerbada fruto dos desdobramentos da pós-modernidade. Acerca disso, vem à tona o livro “Sociedade do cansaço”, no qual o filósofo Byung-Chul Han reitera o estímulo contemporâneo à necessidade de afirmação do eu por meio do desempenho e da capacidade de realizar tarefas simultâneas. Assim, em busca da autopromoção em detrimento do outro, emergem consequências neuronais terríveis, como subproduto desse esgotamento psíquico mencionado pelo autor. Infelizmente, tal condição é refletida no contexto hodierno com o aumento dos índices de pessoas acometidas por problemas psicológicos, indicados pelos dados da OMS supracitados. Depreende-se, portanto, que a competição baseada no desempenho de multitarefas, tem fomentado nos indivíduos transtornos mentais graves.
Destarte, são essenciais alternativas para dissolver a questão. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, órgão do executivo responsável pela administração e manutenção da Saúde pública do Brasil, amplie o debate sobre as doenças neurológicas e as consequência do esgotamento psíquico para a saúde mental, por meio de palestras e discussões interativas entre o corpo social de cada município e os profissionais atuantes na área de Psicologia e Neurociências, a fim de dá assistência ao público alvo e manter o restante da população cientes desse problema. Tais debates ocorrerão em paralelo ao setembro Amarelo, como forma de ampliar as doenças neurológicas tratadas anualmente nesse período. Dessa maneira, será possível reverter esse panorama que afeta toda a esfera social.