A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/09/2020

No limiar do Século XX, a ativista Emília Maricatto afirmou que as más condições de moradia, mobilidade e ausência de espaços de lazer estão a levar a sociedade a um estágio de melancolia. Diante disso, é notável tal discurso, pois periodicamente a sociedade mundial aumenta as taxas de indivíduos acometidos por doenças mentais, inclusive o Brasil possui 13% de sua população dentro desse panorama – de acordo com dados do IBGE. Logo, deve-se salientar a importância de se discutir sobre as doenças mentais no mundo atual, para que melhore o diagnóstico e tratamento, além de diminuir o preconceito àqueles diagnosticados.

É elementar que se leve em consideração, que as doenças mentais podem ser classificadas, de acordo com a máxima durkheiniana, como fatos sociais, que são anteriores ao sujeito e são gerais, ou seja, sucede a qualquer indivíduo sem distinção prévia. Diante disso, a ocorrência desse fenômeno é uma patologia social, que cabe responsabilidade a toda comunidade, inclusive o auxílio aqueles que são afetados. Entretanto, os brasileiros reproduzem comumente um tabu a isso, ao discriminar e marginalizar os portadores das doenças, de forma irreverente e preconceituosa. Portanto, é preciso reconhecer e alienar tais sensos limitantes, para que o preconceito gerado não seja significativo a ponto de que efetive a descriminalização.

Concomitante a isso, é necessário um debate e discurso que leve a melhoria no diagnóstico e tratamento das doenças mentais, pois a falta deles fere os direitos constitucionais do cidadão brasileiro. Nessa perspectiva, a Organização das Nações unidas, define saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social, não limitado a apenas a escassez de doenças, sendo assim, se analisado minuciosamente, não apenas os 13% da sociedade está com sua saúde mental comprometida, e sim uma maior parcela, pois as três etapas médicas são precárias, a profilaxia, diagnóstico e tratamento. Assim os problemas decorrentes da precariedade da área psíquica médica, necessitam ser resolvidos para que todos tenham seus diretos preservados. Infere-se, portanto, a importância da discussão da comunidade e política para o melhoramento das condições de saúde aos doentes mentais.

Dessa maneira, é imprescindível que o governo estabeleça medidas, pelo Ministério da saúde, que tratem todos os brasileiros afetados por quaisquer anomalias psicológicas de maneira eficaz pelo sistema único, além de promover uma normalização e quebra do preconceito referente a temática, através da mídia e materiais didáticos. Tudo isso, conjunto a ação das instituições sociais, mais próximas a comunidade, como o auxílio emocional. Dessa maneira não apenas atenuar-se-á a ocorrência das doenças mentais na contemporaneidade mas também tornará eficaz o tratamento.