A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 24/09/2020

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, o suicídio é a segunda maior causa de óbitos de jovens. Assim, nota-se a relevância de se discutir amplamente as doenças mentais que afetam a população. Nesse contexto, ressalta-se especialmente as causas modernas de patologias psíquicas, bem como a necessidade de não estigmatizar os portadores de enfermidades como ansiedade, ataques de pânico e depressão.

Inicialmente, cabe mencionar a pressão a qual está sujeito o indivíduo contemporâneo como um dos fatores que podem desencadear estresse e outros distúrbios correlacionados. Dessa maneira, consoante o pensador Byung-Chul Han, vive-se em uma sociedade do cansaço, na qual a constante demanda por resultados, somada à insegurança trabalhista advinda da fragilização dos vínculos empregatícios, leva o trabalhador ao esgotamento. Outrossim, também destaca-se o advento das redes sociais como uma causa atual de sofrimento. Dessa forma, de acordo com o filósofo Zigmunt Bauman, a internet leva à perda da noção de individualidade, ao impor novos padrões estéticos e de felicidade condicionados a curtidas recebidas no meio virtual.

Adicionalmente, é fundamental combater o preconceito associado às mazelas da mente. Nesse viés, historicamente, os pacientes mais graves eram internados compulsoriamente em hospícios e submetidos a tratamentos degradantes. Nesse sentido, a médica Nise de Oliveira, no comando do hospital psiquiátrico Pedro II, na década de 1940, foi uma pioneira na abordagem humanizada de doenças mentais, promovendo a arte e a música para o acompanhamento de enfermos. Ademais, mesmo em situações mais leves, que possam ser tratadas com a combinação de medicação com consultas psiquiátricas regulares, também faz-se mister exaltar a não discriminação e a empatia, porquanto um enfoque acolhedor incentiva a procura por ajuda profissional e previne suicídios.

Diante do exposto, evidencia-se que, com o objetivo de combater a intolerância em relação às moléstias psicológicas, o Ministério da Saúde urge promover o debate público sobre elas. Nessa perspectiva, deve-se atingir principalmente os jovens por meio de campanhas focadas nas escolas, nas redes sociais e com linguagem acessível para esse público, possivelmente utilizando seus ídolos ou celebridades para transmitir informações.  Além disso, é também preciso atuar junto com o Ministério do Trabalho para formular políticas que fiscalizem e consigam dirimir jornadas de trabalhos exaustivas ou condições estressantes, bem como identifiquem trabalhadores deprimidos, ansiosos ou com tendências suicidas. Destarte, construir-se-á uma sociedade mais saudável e solidária com todos.