A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 09/11/2020
No livro “O demônio do meio dia” o autor intercala relatos pessoais de sua batalha contra a depressão e opiniões de especialistas acerca dessa enfermidade. Nessa ótica, é visível que as doenças mentais , como a depressão, a síndrome do pânico e a bipolaridade, tornaram-se uma constante na vida de muitas e, por isso, precisam ser debatidas. Desse modo, essas patologias comprometem o bem-estar e a sanidade de muitos cidadãos, e, os principais fatores que corroboram o aumentos dessas mazelas são: o ritmo de trabalho estressante o qual muitas pessoas são submetidas e o sistema de saúde precário.
Em primeiro plano, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é caracterizada por fracas relações interpessoais e falta de empatia entre os cidadãos. Nesse ínterim, é notório que o mercado de trabalho hodierno preza cada vez mais pelo lucro e expansão dos negócios e, para isso, sacrificam a saúde dos seus funcionários para alcançar a meta. Em contrapartida, muitos trabalhadores ao passarem por situações estressantes, diariamente, acabam desenvolvendo doenças mentais, como a depressão, fazendo com que a debilidade, os pensamentos mórbidos, a tristeza e a insônia faça parte da vida desses indivíduos. Logo, essas enfermidades mentais precisam ser debatidas e não estereotipadas, afinal, muitas pessoas não mensuram a gravidade dessas patologias e, por conta disso, julgam as vítimas, desconsiderando todos os sintomas e sofrimentos vivenciados pelos depressivos.
Em segundo plano, a Constituição Brasileira promulgada no ano de 1988 assegura a todo e qualquer cidadão o direito à saúde e o bem-estar. Nesse sentido, fora dos registros, a realidade é diferente, pois, muitos cidadãos que sofrem com os problemas da mente, como, por exemplo, os esquizofrênicos e os ansiosos, não são assistidos de maneira adequada pelo sistema de saúde e muitos deles nem se quer são diagnosticados. Ademais, a falta de uma rede hospitalar que possua uma equipe especializada com neurologistas e psiquiatras que trabalhem de forma integrada, debatendo os casos e estudando os possíveis tratamentos para esses enfermos, dificulta a qualidade de vida desses indivíduos. Dessa forma, as doenças da mente devem ter maior visibilidade pois são casos graves de saúde pública.
Destarte, cabe à alta cúpula governamental liberar insumos para o setor de saúde, para que, por meio de contração de psiquiatras e psicólogos, os PSF’s espalhados pelas cidades estejam preparados para atender a comunidade, desenvolvendo terapias com esses enfermos, receitando remédios adequados e mantendo diálogo frequente com a família dessas pessoas, para que, assim, os indivíduos depressivos e ansiosos sejam assistidos de maneira adequada. Ações como essas, ajudarão as pessoas a saírem desse momento de enfermidade e farão da depressão um assunto debatido na sociedade.