A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 11/11/2020

A produção cinematográfica “Divertida Mente” mostra como Riley, uma menina de 11 anos, lida com uma grande mudança em sua vida, metaforicamente retratando sua mente como uma máquina controlada por personificações de emoções, as quais alternam o comando segundo os sentimentos de Riley. Em certo ponto, no entanto, as personagens Alegria e Tristeza deixam a administração do aparelho, acontecimento que desequilibra o comportamento da menina, evidenciando a importância da saúde e do bem-estar mental, cuja falta está entre os maiores problemas da contemporaneidade.

Nesse contexto, também se faz explícita a influência das relações interpessoais, bem como da tecnologia no estado psicológico dos indivíduos. A Idade Contemporânea é fortemente marcada, além de transtornos mentais, pela escassez de relações humanas, fatos certamente correlacionados. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em tempos de liquidez, nos quais nada dura, e é dificílimo criar relacionamentos concretos. É, assim, possível afirmar que tal liquidez cria uma população solitária, contrariando a natureza social dos seres humanos, o que precariza a saúde mental desses.

Outrossim, sabe-se que a chamada Geração Z, nascida após o advento da internet, é a que mais faz uso de seus recursos. Sabe-se, também, que essa é a que mais apresenta casos de distúrbios psicológicos. Isso acontece, principalmente, por conta da grande pressão sobre os jovens, tanto em relação à beleza quanto outros fatores, como poder aquisitivo. É, pois, necessário que esses regulem o tempo gasto on-line.

Portanto, é mister que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, crie campanhas conscientizadoras sobre transtornos mentais, a fim não somente de acabar com os estigmas que os cercam, mas também evidenciar a sua relação com a tecnologia, divulgando-os em locais frequentados pela parcela jovem da população, tais quais escolas. Ademais, devem ser feitos investimentos nas áreas psicológicas e psiquiátricas de saúde, oferecendo consultas periódicas obrigatórias em empresas, evitando julgamentos errôneos sobre a própria condição por parte dos pacientes, e medicamentos gratuitos sob receita, garantindo acesso democrático ao tratamento. Feito isso, far-se-ia com que, como em “Divertida Mente”, a Alegria controlasse a máquina mental de grande parte da população, e resolver-se-ia um dos maiores problemas da sociedade contemporânea.