A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 16/11/2020
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema, “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do contista não tenha sido escrito sob viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira no que tange às doenças mentais na contemporaneidade. No sentindo de que esse é um notório problema social que persiste sem solução à custa da falta de estrutura educacional e da sociedade inconsciente.
Deve-se pontuar, de início, a lacuna educacional presente no país, o que caracteriza como um complexo catalisador do problema. Conforme o educador e filósofo Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é um pilar indispensável na base da formação social, uma vez que ela tem a função de apoiar os indivíduos psicologicamente para que possam ser aceitos e compreendidos principalmente em momentos de estresse, bem como evitar possíveis consequências, como depressão, ansiedade e transtornos. Logo, as instituições pedagógicas têm papel primordial não somente no ensino de habilidades cognitivas, mas também na formação de cidadãos com a saúde mental saudável.
Ademais, a ausência de consciência social é também um fator relevante em relação à situação. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas opiniões em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Nessa perspectiva, quando se trata da escassez de diálogos entre pais e filhos, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, já que o Estado brasileiro não promove a conscientização social sobre os malefícios de não se desenvolver o debate acerca da saúde mental no âmbito familiar e, por consequência, evitar entraves, como baixo autoestima, problemas em relacionamentos interpessoais e desequilíbrio emocional.
Portanto, é evidente que o problemas relacionados à saúde mental precisam ser amplamente debatido. Dessa maneira, compete ao Ministério da Educação propor ao Congresso Nacional uma reforma escolar, por meio de um projeto educacional, que transforme a percepção e o entendimento dos jovens sobre assuntos como a importância de se tratar transtornos mentais e evitar guardar o sentimento para si. Tal reforma deve conter um mudança na grande curricular, englobando matérias como psicologia e relações interpessoais, para preparar o aluno não somente para universidade, mas também para vida em sociedade. Diante disso, espera-se que a educação seja mais estruturada garantindo, assim, todo preparo que esses indivíduos necessitam.