A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 17/11/2020
A história da loucura, segundo Michel Foucalt, iniciou-se no final da Idade Média. Nesse período, as cidades expulsavam os loucos, e quando os recolhiam, não passavam por processos terapêuticos, mas ficavam, simplesmente, trancafiados, pois se acreditava que somente um milagre poderia curá-los. Contudo, apesar de muitos séculos terem se passado, ainda se observa a falta de inclusão de indivíduos com doenças mentais na sociedade, tornando-se evidente discorrer sobre o desconhecimento e o preconceito das pessoas, assim como a insuficiência de políticas públicas.
Primeiramente, percebe-se que muitas vezes a incompreensão gera um preconceito contra quem apresenta sintomas de transtornos mentais, o que pode contribuir para o agravamento do quadro do indivíduo doente. Tal como foi defendido pelo filósofo alemão Sigmund Freud, em que quando não somos capazes de entender alguma coisa, procuramos desvalorizá-las com críticas. Diante disso, leva-se à necessidade do debate acerca das doenças crônicas, envolvendo a sociedade como um todo, com o objetivo de conscientizá-los, além de incentivar os doentes a buscar ajuda e evitar eventuais tragédias.
Ademais, destaca-se e ineficiência das autoridades para garantir o atendimento amplo, gratuito e acessível a todos os cidadãos, haja vista a precariedade dos programas nacionais para o tratamento das doenças. Prova disso é que, segundo a reportagem feita pelo site UOL, 85% dos pacientes que fazem uso de remédios para tratar a esquizofrenia não conseguem receber o medicamento nas unidades do SUS. Sob essa perspectiva, é inadmissível que, em um Estado democrático de direito, a população não disponha de um tratamento digno para as suas enfermidades, o que contraria as normas determinadas pela Constituição Cidadã de 1988.
Fica imprescindível, portanto, uma ação conjunta entre o Estado e a mídia, de modo a minimizar os impactos causados por esse caso de saúde pública. Desse modo, por meio de uma ampla divulgação nacional, caberia ao governo a criação de campanhas que debatessem a respeito da importância da compreensão e apoio dos familiares para o tratamento dos doentes, além de disponibilizar maiores recursos para a compra de medicamentos, investimentos em infraestrutura e contratação de profissionais da área. Espera-se, com isso, promover a conscientização da população, como um todo, incluindo os doentes, bem como garantir o acesso aos tratamentos de forma mais democrática.