A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 30/11/2020

Holocausto Brasileiro, livro premiado e escrito pela mineira Daniela Arbex, evidencia a forma como deseja que não se encaixam no padrão de normalidade da época, especialmente os que possuíam transtornos mentais, eram indesejados socialmente e enviados para manicômios como o de Barbacena, onde eram abandonados e maltratados. Assim, apesar dos hospícios terem sido fechados, as doenças mentais - recorrentes principalmente devido à intensa cobrança atual por alto desempenho - ainda são alvo de grave preconceito e banalização.

Nesse aspecto, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofre com problemas mentais, principalmente a depressão. No entanto, ainda assim, o assunto é minimamente discutido em escolas, em ambiente familiar e na mídia, além de ser objeto de preocupação de piadas preconceituosas, que recorrentemente estereotipam essas patologias e considere o doente como incapaz. Adicionalmente, a banalização também se faz presente em páginas do instagram e facebook, nomas “graduação da depressão” e “futebol da depressão”, por exemplo, que minimizam a seriedade da doença e, mesmo indiretamente, desestimulam a busca por tratamento.

Dessa forma, um dos principais fatores que influenciam o desenvolvimento e o agravamento distúrbios, consiste na intensa cobrança do atual modelo capitalista por alto desempenho no âmbito familiar, social, laboral e escolar. Nesse sentido, segundo Byung Chul Han, filósofo coreano, essa sociedade do cansaço, que vive sob pressão constante tende a sofrer demasiadamente e sucumbir. Para mais, de acordo com a psiquiatra e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, os transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade, aumentam os riscos de suicídio, câncer, derrames e doenças autoimunes. Sendo medidas urgentes que modifiquem esse cenário alarmante.