A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 27/12/2020
A Constituição brasileira, promulgada em 1988, determina que é inerente a todo ser humano, independentemente de sua situação financeira, o acesso à saúde de maneira gratuita. No entanto, externo ao âmbito teórico, grande parte da população nacional mentalmente enferma não é corretamente tratada, realidade essa consequente de uma série de fatores, dentre eles o desacato estatal e a ignorância do povo brasileiro acerca do assunto.
Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma sociedade. Todavia, no que é tangente a garantir um contigente psiquiátrico que pode abranger a todos os necessitados, o Estado ainda é falho, visto que, por diversas vezes, pessoas que sentem a deterioração de sua psique e buscam ajuda, se deparam, porém, com a inexistência de apoio profissional próximo, ou, quando ele é presente, está sem disponibilidade para novos pacientes. Nesse sentido, essa faixa social se sente ainda mais desalentada e se deixa levar por sua enfermidade, fatos esses comprovados pelos dados da Organização Mundial da Saúde, os quais dizem que, no Brasil e no mundo, em média, três quartos das pessoas com problemas dessa espécie não recebem o auxílio adequado.
Concomitante a isso, o pensamento brasileiro, que vê doenças da ala psicológica como algo trivial, também é um problema evidente. Nessa perspectiva, de acordo com a Sociologia, os primeiros contatos com a formação de caráter e pensamentos que uma pessoa possui, denominada socialização primária, é oriunda de sua própria família. Dessa maneira, em diversos núcleos parentais, as crianças são ensinadas desde cedo a entender problemas interiores como mera fraqueza, o que as induz a uma tentativa de resolver seus conflitos completamente sozinhos. Nessa lógica, a longo prazo, o indivíduo acaba por, infelizmente, agravar ainda mais suas enfermidades, e, quando percebe que de fato ajuda é necessária, o quadro clínico a se tratar já é muito mais sério do que poderia ter sido.
Faz-se necessário, destarte, a reversão desse quadro crítico ao qual o país se encontra. Assim, cabe ao Poder Legislativo criar projetos de lei em que sejam feitos acordos com profissionais de saúde mental e o Governo, no qual os primeiros trabalhem, gratuitamente, ao menos um dia da semana em locais de fácil acesso, com horas de ofício bancadas pelo último. Deve criar, também, campanhas de conscientização em que psicólogos, publicamente, façam palestras sobre a importância do bem-estar da psique, como é essencial a sua peservação e a maneira correta de identificar possíveis doenças, ambas as ações tomadas para que a acessibilidade de atendimento e a ideologia brasileira acerca do assunto melhorem, e, assim, o ideal proposto pela Constituição se torne verdadeiro.