A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 13/01/2021
A obra “Holocausto Brasileiro”, relata a história do maior manicômio que já existiu no país. Nesse hospital psiquiátrico, localizado em Barbacena – MG, as pessoas que não se encaixavam nos padrões da época eram segregadas pela população, internadas à força e mantidas em condições sub-humanas, sob o pretexto de terem seus danos mentais curados. Entretanto, 70% das pessoas não tinham diagnóstico de distúrbios psicológicos. Por conseguinte, fica claro a dificuldade da sociedade ao lidar com distúrbios mentais, negligência essa que se perpetua até os dias de hoje e é agravada pelo individualismo atual.
Sob esse viés, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. Apesar do manicômio de Barbacena ter sido fundado há mais de 100 anos, a mentalidade social sofreu poucas mudanças. Nesse contexto, o sociólogo Émile Durkheim expõe a teoria da “consciência coletiva”, na qual, a sociedade que pretende se manter unida, constrange comportamentos que ameaçam a integridade do coletivo. Assim, devido ao preconceito em relação aos transtornos emocionais, a comunidade os considera prejudiciais e tende a isolá-los. Dessa forma, ocorre uma omissão coletiva, visto que as pessoas compactuam, mesmo que indiretamente, com a exclusão dos que tem a saúde mental em desequilíbrio.
Mormente, destaca-se o cenário de indiferença vigente no país. Sob tal ótica, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defendia que o homem pós-moderno é fortemente influenciado pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, na qual os indivíduos voltam seus olhares para si e marginalizam o convívio interpessoal no ambiente de trabalho, escolar e familiar. É inegável, que a liquidez das relações impede a visualização de mudanças de comportamento ou sinais de pedidos de ajuda. Desse modo, a falta de empatia contribui significativamente para o isolamento das pessoas com a saúde mental abalada.
Portanto, somando-se aos aspectos supracitados, é vital que o Governo Estadual em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, proporcione a criação de oficinas educativas, que serão desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios do estado. Por meio de palestras com sociólogos e psicólogos, que orientem sobre a seriedade de discutir sobre a saúde mental e como ajudar pessoas que estão nessa situação. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, mas o evento poderá ser aberto a toda comunidade, a fim de manter o equilíbrio social e esclarecer sobre a importância da empatia e inclusão das pessoas com a saúde mental fragilizada. Só assim, tragédias como a de Barbacena poderão ser evitadas.