A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/01/2021
Segundo o filósofo Levi-Strauss para compreender as ações do coletivo é necessário entender a base social e histórica de determinada sociedade. Dessa forma, um país marcado pelo preconceito às pessoas com doenças mentais tende a criar um estigma e não debater sobre o assunto. Por conseguinte, os indivíduos que sofrem de determinado distúrbio mental são marginalizados e excluídos. Problema esse que só poderá ser minimizado por meio de ações efetivas do Estado, da mídia e das ONGs.
Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como a herança histórica brasileira é um fator que afeta negativamente a saúde de pessoas com doenças mentais. Nesse sentido, quando uma sociedade originalmente preconceituosa não busca compreender as diferenças, está propensa a gerar pré-conceitos e, por consequência excluir pessoas que não estejam nos estereótipos. Esse comportamento, quando relacionado a pessoas com doenças mentais, é potencializado por meio das mídias. Segundo o sociólogo Guy Debord, a sociedade contemporânea vive em um “espetáculo”, visto que os indivíduos buscam mostrar uma alegria constante, fato esse que pode desencadear sensação de despertencimento e marginalização.
Ademais, em uma sociedade marcada pelo preconceito os debates sobre doenças mentais são rasos, esse comportamento torna o cenário ainda mais crítico. Segundo o artigo 225 da Constituição Federal, a educação é direito de todos. Dessa maneira, a ausência de debates sobre o tema é inconstitucional, pois faz com que o conhecimento não seja disseminado. Essa prática é danosa à cidadania e aos 11,5 milhões de brasileiros que sofrem de depressão (OMS).
Nota-se, portanto, a necessidade de debater as doenças mentais na sociedade brasileira. Dessa forma, medidas podem ser tomadas. A priori, as escolas podem promover palestras, por meio de parcerias com psicólogos, com o intuito de minimizar os pré-conceitos existentes. A posteriori, as mídias, por intermédio de parcerias com ONGs, podem promover debates sobre as doenças mentais, com o propósito de disseminar o conhecimento a toda população. Somente por meio dessas ações será possível garantir que as ações coletivas referentes aos distúrbios psíquicos não respeitem mais a base histórica preconceituosa do Brasil.