A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/01/2021
O sociólogo e escritor Émile Durkheim, em sua obra literata “O suicídio”, aponta para a importância de se entender que a depressão não é um fator pessoal, mas sim social. Nesse contexto, é oportuno mencionar que a Revolução Industrial teve suas raízes na Inglaterra, mas afetou gradativamente inúmeros brasileiros, desencadeando traumas e um estigma no que concerne às doenças mentais no cenário do Brasil. Sendo assim, é válido supracitar que mesmo existindo desde os primórdios, a saúde mental ainda é um problema que assola o cotidiano brasileiro, seja por negligência governamental, seja pela busca por perfeição.
É importante ressaltar, a princípio, que a Constituição Federal de 88, órgão de maior hierarquia judicial do país, assegura o direito à saúde a todos os cidadãos como dever do Estado. No entanto, a negligência governamental no que diz respeito às doenças mentais como uma questão social é a principal entrave para que a Constituição seja respeitada e levada à risca. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE, a depressão é a doença do século e o Brasil lidera o ranking de países depressivos. Mesmo com todos os dados, a ausência de ações governamentais segue sendo um fator contribuinte, visto que é extremamente difícil o acesso aos hospitais psiquiáticos no Brasil. Esse fator priva, de uma grande parcela de brasileiros, a contemplação ao diagnóstico e tratamento dessas doenças psíquicas.
É pertinente salientar, ainda, que a busca pela perfeição é também uma das principais razões da problemática com a saúde mental. Durante a Revolução Industrial, diversas pessoas tiveram seus trabalhos substituídos por máquinas, levando-as à busca pela perfeição, na tentativa de realizar um trabalho perfeito e conseguir um meio de levar sustento às suas famílias. Nesse cenário, com carga horária exaustiva e o medo de errar, problemas como depressão, síndrome do pânico, entre outros, foram desenvolvidos. Contudo, hodiernamente, com a bucocracia do ingresso às universidades e o alto índice de desemprego, as marcas da Revolução ainda assolam a sociedade pós-moderna.
São necessárias, portanto, medidas para reverter essa situação. Cabe, ao Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, a partir de investimentos, a criação de hospitais psiquiáticos em todos os estados e cidades, a fim de que o acesso seja igualitário para todos. Ademais, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, principal e primordial fonte de ensinamentos, a promoção de campanhas interativas com cartazes e palestras, com a finalidade de conscientizar os alunos desde a infância de que é normal errar e que a busca pela perfeição é falha e prejudicial.