A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/01/2021

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada ao funcionamento de um organismo vivo, no qual a estabilidade é dada pelo equilíbrio entre as partes que o compõem. Com base nessa conceituação, pode-se inferir que tal equilíbrio é rompido perante ao quadro de estigmas associados às doenças mentais no Brasil, o que configura em um corpo social “imerso” em paradigmas negacionistas, dos quais comproometem a dinâmica e manejo adequado da saúde mental no país. Faz-se necessário, imediatamente, analisar o cenário a fim de revetê-lo.

É conveniente evidenciar, em primeiro plano, o contexto histórico da problemática mental e suas consequências na era contemporânea. A datar do período de idade média, nota-se a ascenção de movimentos de caráter perseguidor e violento frente aos portadores de necessidades especiais e psicológicas. Por conseguinte, já na idade moderna, surgem os primeiros manifestos de estudiosos e cientistas, dos quais buscam formas de compreender a complexidade da mente humana. Tal processo de avanço da ciência é muito bem difundido pelo seriado televisivo “o alienista”, no qual um indivíduo desenvolve métodos de analise e luta contra os preconceitos enrraízados na “idade das trevas, visto que a pessoa com distúrbios mentais era caracterizada como “alienada ao estado de natureza”.

Cabe salientar, em segundo plano, a negligência por parte das estruturas governamentais brasileiras com a causa. Adeptos de um sistema negacionista, em que corta-se os rescursos destinados a programas de suporte psicológico, observa-se a banalização da saúde pública, em que o descaso representa um forte agravante de índices de ansiedade e depressão, visto que há uma maior imperiosidade em período de isolamento social. Tal postura inábil do Poder Público pode ser entendida, segundo o filósofo Blaise Pascal, pela afirmativa “o homem tende a negar tudo aquilo que desconhece”, ou seja, a ignorância e insensibilidade do Estado gera complicações como essa.

Torna-se imprescíndivel, portanto, cadenciar medidas eficazes a fim de mitigar os impactos em resultância. Para isso, cabe ao Minitério da Educação, em parceria com o Centro de Valorização da Vida ( CVV ), homologar um programa na rede pública de ensino, no qual jovens e crianças possam ser instruídos por meio de palestras interativas e atividades lúdicas, aos riscos provenientes do descaso com a saúde mental. Além disso, é válido que o Ministério da Saúde, adjunto das Secretarias de Saúde regionais, provovam uma campanha de rua com atendimento gratuito viabilizado pelo SUS, em que haja a disponibilização de profissionais da psicologia para o atendimento dinâmico da massa. Desse modo, por meio de um projeto de base educacional e investimento categórico em campanhas de apoio, será possível atenuar os estigmas e estabilizar o equilíbrio na questão em voga.