A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/01/2021
A série da Netflix “13 Porquês” narra a história de Hannah Becker, uma adolescente diagnosticada com depressão, mas que, por negligência da escola, da família e dos amigos, cometeu suicídio. Fora dos limites ficcionais, a apresentação não é diferente, continuar a realidade mostra um tabu enorme ao se falar de doenças mentais dessa forma, o número de enfermos crescem tanto pela dificuldade de apoio da família, como também pela falta de estrutura do Estado ao se tratar de saúde mental. Por isso, A discussão sobre essa problemática é primordial.
A princípio, é importante saliente que a família brasileira não destina a devida atenção no que é relacionado a essas doenças. Tal cenário é fruto de um estereótipo criado para doenças mentais que associa o indivíduo a nomes, como “louco”, “fresco” ou “falta de fé”. Sob a ótica de Erving Goffman, o estigma social ocorre quando essa marca “mal vista” é ligada a uma pessoa, ou seja, ao estereotipar, uma própria família dificuldade o tratamento desse ser humano, o que pode ocasionar ou agravamento dessas psiquiátricas. Assim, esses familiares precisam entender que não é um assunto banal para ajudar esses dependentes.
Ademais, é essencial destacar que o próprio Estado não oferece a melhora correta dessas doenças. Isso ocorre porque existe uma dificuldade de acesso a profissionais especializados, o que atrasada o diagnóstico de transtornos, como depressão e esquizofrenia. De acordo com Ferdinand Lassalle, a Constituição Federal é um código moderno, porém, existente em uma sociedade atrasada, isto é, embora seja assegurado o direito à saúde no artigo 5 °, esse benefício não passa de uma folha de papel. Nesse sentido, uma estrutura para atender esses requisitos é precária e o preconceito da sociedade agrava esse quadro.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para acabar com esse estigma e com a piora dessas doenças. Para isso, a mídia brasileira, formadora de grandes opiniões, deve incentivar a sociedade, por meio de campanhas publicitárias, a procurar ajuda e auxiliar alguém próximo em relação a essas doenças psicológicas, a fim de que não haja negligência com esses indivíduos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve promover, por intermédio da contratação de especialistas, o acesso gratuito de tratamento. Somente assim, casos como de “Hannah Becker” não irão crescer.