A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/01/2021

No filme “Garota interrompida”, que trata dos transtornos psíquicos e da forma como são vistos pela sociedade, pode-se observar a trama de uma jovem encaminhada a um Hospital Psiquiátrico por desenvolver problemas de saúde mental decorrentes do não atendimento das expectativas sociais. Analogamente, no Brasil , o preconceito e a falta de informação sobre as doenças mentais têm gerado uma forte pressão sobre as pessoas para se ajustarem a um padrão impossível de sociedade, situação que dificulta o equilíbrio emocional da população e aumenta os casos de doenças mentais. Dessa forma, a influência da padronização social e a propagação da desinformação causam estigmas associados a doenças mentais , o que se configura grave problema de saúde pública no país.                           Em princípio, é importante ressaltar que um dos grandes fatores para o aumento do desequilíbrio mental se encontra na coersão que a sociedade impõe para a população se manter nos padrões estabelecidos como normais. Segundo Durkheim, esse comportamento da sociedade causa nos indivíduos que não se adaptam grande sofrimento psíquico gerado pelo preconceito e inibição social dos comportamentos da pessoa. Porém, essa censura social contra os portadores de doenças mentais não se justifica, pois , não existe um único padrão comportamental a ser seguido pela população e reforçar a não pluralidade das mentes humanas com o argumento de fuga da normalidade pelos portadores faz com que o sofrimento psíquico e a ignorância da população seja propagada.

Ademais, essa persistência da desinformação tem gênese no tabu sobre as doenças mentais, que limita o campo de visão das pessoas e impede o fim da estigmação. Para exemplificar, os tabus, conforme Norbert Elias , são gerados pelo preconceito em tratar de determinados assuntos vistos como desnecessários, escandalosos pelos padrões ou considerados anormais. Essa falta de diálogo provoca ignorância e, segundo A. Shopenhauer, limita as pessoas a verem a realidade apenas como as afeta. Entretanto, não existe apenas um ponto de vista e é importante que a sociedade se atente para as necessidades e as diversidades das mentes alheias. Portanto, compreender e disseminar informações sobre as doenças é crucial para o fim do tabu e estigma.

Em síntese, os falsos padrões e a propagação de desinformação devem ser combatidos para interromper o estigma associado as doenças mentais no Brasil. Para isso, deve-se considerar o princípio de Vygotsky, em que valoriza-se a importância dos setores sociais, a partir disso, o Ministério da Saúde deve focar na educação da sociedade sobre as doenças mentais, por meio de campanhas publicitárias em mídias digitais e televisão que foquem no respeito as pluralidades, objetivando uma sociedade mais equilibrada e tolerante.