A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/01/2021

Tema modificado para: O estigma relacionado às doenças mentais

O artigo 196 da Constituição Federal de 1988 refere o direito à saúde– com ela sendo um pleno estado tanto físico quanto psíquico- a todos. No entanto, percebe-se que tal conjuntura não é assegurada na prática, haja vista o grave estigma que é relacionado às doenças mentais na sociedade brasileira. Logo, urge a necessidade de analisar esse tema- que é de cunho governamental e fomentado pela ausência de informação fornecida à população- com o fito de que tal embate seja perduravelmente mitigado.

Deve-se abordar, mormente, o papel do governo em relação ao imbróglio. Consoante ao pensamento do filósofo contemporâneo John Rawls, o Estado deve garantir o bem-estar social, por intermédio de políticas públicas destinadas à população. Porém, nota-se a ausência de tais ações que visam o combate às doenças mentais na sociedade vigente, dado que, segundo a PNS (Pesquisa Nacional da Saúde), cerca de 10% dos jovens brasileiros irão desenvolver depressão, o que realça, sobretudo, o precário investimento nessa área e reforça o estigma que é associado aos transtornos psíquicos, configurando-se como um empecilho não só para a ordem social, como também para a Constituição Federal. Tem-se, dessa maneira, que se o Poder Público se omite diante de tal conjuntura, ela tende, pois, a continuar presente no hodierno.

Ademais, é crucial salientar que a falta de informação que é fornecida à população corrobora o estigma relacionado aos problemas psíquicos. No livro “Jeca Tatu”, do eugenista Monteiro Lobato, é retratada a inércia do personagem Jeca em combater a doença Amalerão, em decorrência do seu escasso saber científico. Analogamente, acontece no hodierno, mas com as doenças mentais, visto que a ausência de conhecimento dos cidadãos sobre os problemas psíquicos faz com que a sociedade, assim como Jeca, tenha dificuldade em compreender o embate, o que acarreta no preconceito associado que é aos portadores de transtornos mentais e compromete tanto o diagnóstico quanto o tratamento dessas doenças. Vê-se, com isso, que a precária conscientização social acentua o tema.       Depreende-se, portanto, a necessidade de se mitigar o grave estigma que é associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Desarte, cabe ao Poder Público, responsável pelo bem-estar, desenvolver programas sociais que visam o combate aos transtornos psíquicos, por meio dos órgãos municipais e estaduais. Esses programas devem não só atuar em todo o país, como também conscientizar a população em relação às doenças mentais, a fim de que os cidadãos fiquem mais informados sobre o tema e que o estigma que é relacionado aos transtornos psíquicos seja atenuado. Espera-se, por fim, uma nação permeada pelos direitos propostos na Magna Carta.