A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/01/2021
A série norte-americana, “Orphan Black”, retrata a história da personagem Beth. que se joga na frente de um trem em movimento, em uma estação de metrô, devido ao seu histórico de depressão. Todavia, fora do cenário fictício, ao levar em consideração o cenário do mundo globalizado, urge ressaltar a constante pressão imposta pela sociedade nos mais diversos segmentos, seja na questão profissional, social ou estética. Dessa forma, é mister que sejam realizadas políticas públicas com o intuito de minimizar os estigmas relacionados às doenças mentais na sociedade brasileira.
Em primeira análise, o escritor Gilberto Freyre diz: “A depressão é o pior estágio da dor humana”. De maneira homóloga às palavras do pensador, a depressão não é vista pela sociedade como uma problemática urgente, haja vista que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, de 2017, 66% dos jovens de 14 a 25 anos têm problemas de instabilidade emocional, diagnosticados com depressão. Logo, é necessário um debate mais amplo acerca do assunto pela sociedade, no que tange a questão de traumas precoces.
Ademais, a persistência do impasse configura indolência estatal. De acordo com a Declaração dos Direitos Humanos (DUDH), a Constituição pleiteia o respeito ao bem-estar dos cidadãos. Entretanto, há divergências entre garantia e direito. Conforme os dados da Organização Mundial da Saúde, quase 12 milhões de pessoas apresentam quadros de transtorno psicológico. Destarte, é importante que o Estado considere as doenças psíquicas como um problema de caráter epidêmico. Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para a atenuação do estigma em questão. Desse modo, cabe ao governo, por meio do Ministério da Educação, criar centros de apoio aos jovens, com profissionais da área da psicologia, para atender aos problemas de instabilidade emocional dos alunos das redes públicas de ensino, que não possuem condições de arcar com seu tratamento psicológico. Em adição, o Estado, como instância máxima de administração executiva, deve, por conta do Ministério da Justiça, garantir a punição legal dos casos de discriminação e preconceito às pessoas depressivas. Somente assim, é possível que o pensamento de Freyre deixe de ser uma verdade absoluta e os transtornos mentais tornem-se menos presentes na sociedade brasileira.