A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/01/2021

Para o filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, o homem precisa refletir sobre seus conflitos para atingir sua autonomia. Analogamente, é indispensável indagar-se sobre os impasses em relação ao estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Nesse sentido, diante de uma realidade temerária que mescla obstáculos nas esferas governamentais e sociais, torna-se relevante construir uma crítica e realizar uma possível medida relacionada a esse desafio.

Diante desse cenário, cabe destacar o papel do Estado como propulsor da saúde. Segundo o pensamento do economista britânico Arthur Lewis, a educação deve ser vista como um investimento de retorno garantido, principalmente como ferramenta de informação que corrobore na construção e melhoria psíquica do cidadão. Portanto, é imprescindível que as instituições públicas educacionais trabalhem com atividades mais efetivas que auxiliem na orientação de seus discentes a compreensão e engajamento na busca de tratamento dos transtornos mentais.

Ademais, é fundamental pontuar a negligência da sociedade como promotora do problema. De acordo com pesquisa realizada pelo jornal O Globo, 70% dos brasileiros adultos desconsideram a depressão como um doença grave. Sob esse viés, lamentavelmente, percebe-se uma falência de ideologias e perspectivas que confirmam a visão de Kant e Lewis, a qual é primordial que a população compreenda a gravidade e os impactos gerados pelo sofrimento mental na vida coletiva e individual do enfermo. Logo, faz-se mister a necessidade de mudanças e reformulação dessa postura governamental e social de forma urgente.

Em suma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, o Ministério da Saúde deve fomentar campanhas informativas sobre as patologias mentais e seus reflexos, por meio das mídias digitais, rádio e televisão, com palestras em pontos coletivos, escolas e universidades. Tais atividades podem ser realizadas por intermédio das parcerias público-privadas. Espera-se, com isso, ampliar o conhecimento em torno dos transtornos psíquicos e ofertar mais qualidade de vida para todos os brasileiros.