A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 19/01/2021

Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, o estigma associado às doenças mentais se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a negligência governamental acerca dos tratamentos psíquicos e a lacuna educacional referente a cultura do autocuidado colaboram para que o problema persista no país.

Diante desse cenário, urge pautar o descaso estatal em não propor medidas públicas relacionadas ao bem-estar dos cidadãos brasileiros. Essa lógica pode ser confirmada pelo filósofo Zygmunt Bauman, que disserta em sua obra “Globalização e as consequências humanas” que o ser humano está destruindo as relações sociais, sobretudo, por conta da ausência do Estado no contexto social. Dessa maneira, é inadmissível que medidas não sejam tomadas, visto que é dever do governo estar presente nas relações sociais, promover tratamentos psíquicos eficazes e zelar pela sanidade mental da população.

Ademais, é válido salientar o desamparo educacional acerca da cultura do autocuidado, este alimenta o preconceito associado às doenças mentais e gera um tabu social. A esse respeito, em 2017, a OMS (Organização Mundial de Saúde) pronunciou que a depressão é a doença do século XXI, e que as doenças mentais, em sua maioria, são evitáveis. Sob esse âmbito, a escola possui um papel fundamental na construção de valores pessoais, posto que o ativista social Nelson Mandela afirmava que a educação é a maior arma que podemos utilizar para mudar o mundo. Desse modo, é incoerente que o cenário continue a perdurar no país, uma vez que dinâmicas e diálogos nas escolas pode ser uma medida preventiva, a fim de estimular a cultura do autocuidado e popularizar o tema.

Portanto, para que as gerações futuras prezem pela sua sanidade mental, medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Saúde deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, propor a participação de psicólogos e psiquiátras nas escolas, realizando dinâmicas e consultas aos estudantes do ensino fundamental e médio. Além disso, o SUS (Sistema Único de Saúde) deve instituir consultas psíquicas nos exames de rotina, a fim de facilitar diagnósticos e o acesso aos tratamentos. Com essas medidas, espera-se que esse nó seja desatado e que a sociedade brasileira seja mentalmente saudável.