A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 19/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do Brasil, prevê que todos têm o direito de não sofrer discriminação. Contudo, hodiernamente, nem todos os cidadãos brasileiros têm esse direito respeitado. Nesse sentido, o estigma associado às doenças mentais se configura como um sério problema social no país, acentuado por uma precária base familiar e pela carência de ações governamentais.
Mormente, é importante apontar uma deficiente estrutura familiar como impulsionadora do problema. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, a família é a principal instituição social primária, responsável pelo primeiro contato do indivíduo com a sociedade e com os ideais coletivos. Sob essa ótica, a família exerce um papel essencial na formação de caráter e senso das pessoas. Assim, uma família negligente culminará em cidadãos individualistas e sem empatia, contribuindo com essa problemática. Ademais, vale ressaltar que há uma insuficiente atuação do governo. Recentemente, Whindersson Nunes, figura pública brasileira, divulgou em suas redes sociais que apresentava um quadro de depressão. A resposta popular foi bastante pejorativa, com diversos ataques ao comediante e comentários agressivos, porém pouco foi feito pelo poder público para a identificação e punição dos agressores. Essa conjuntura se configura como uma violação ao “contrato social” proposto pelo filósofo inglês John Locke, à medida que o Estado não cumpre seu papel de garantir os direitos indispensáveis a todos. Logo, é inadmissível que isso perdure.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse problema. Dessa forma, cabe ao Estado, no papel de garantidor dos direitos dos cidadãos, promover campanhas de conscientização por meio de canais midiáticos, como revistas e redes sociais, a fim de dissolver o estigma associado às doenças mentais. Com isso, todos terão seus direitos respeitados como previsto na Carta Magna.