A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 19/01/2021

Historicamente, sabe-se que, durante a Idade Média, indivíduos que apresentassem sintomas relacionados com doenças mentais eram julgados e condenados pela Inquisição da Igreja Católica, uma vez que tais doenças eram associadas à bruxaria. Atualmente, percebe-se que doenças psiquiátricas ainda são estigmatizadas na sociedade brasileira. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar a omissão dos influenciadores digitais acerca da questão e o desemprego.

Nessa perspectiva, é válido postular que, em um mundo digitalizado, os influenciadores digitais são um dos principais responsáveis pela difusão de hábitos e comportamentos, tendo em vista que são acompanhados diariamente pela população nas redes sociais. Entretanto, doenças mentais raramente são debatidas entre os influenciadores que, através das postagens, propagam um estilo de vida relacionado à positividade. Dessa forma, os indivíduos, com receio de fugirem dos padrões sociais e serem rotulados como “doentes”, optam por omitir seu estado mental devido à estigmatização de doenças psicológicas.

Ademais, deve-se mencionar que dados da Organização Mundial da Saúde afirmam que a depressão é uma das principais causas do afastamento do trabalho, devido ao seu caráter incapacitante, que prejudica a interação social, o rendimento e a autoestima dos funcionários. Consequentemente, indivíduos que negligenciam a busca por ajuda psicológica, devido ao medo de serem julgados, são demitidos ou afastados do trabalho, posto que, improdutivos, não correspondem com as expectativas do patrão. Dessa maneira, é notório que o estigma ligado às doenças mentais afasta o tratamento psicológico e causa estagnação na economia do país.

É mister, portanto, normalizar a questão das doenças psicológicas no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com influenciadores digitais, amplie a veiculação de campanhas publicitárias que discutam a necessidade de erradicar preconceitos relacionados às doenças mentais, com o objetivo estimular a população a buscar tratamentos especializados. Outrossim, compete ao Ministério do Trabalho, por intermédio de verbas governamentais, inserir - mediante a reafirmação do sigilo entre médico e paciente, para criar uma atmosfera de segurança e confiabilidade - acompanhamento psicológico na seara laboral, com o fito de promover o acompanhamento psicológico dos funcionários e, assim, evitar uma possível queda no rendimento dos empregados. Assim sendo, o estigma medieval que cerca as doenças mentais será erradicado do corpo social brasileiro.