A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 02/02/2021
A campanha “Setembro Amarelo” é um projeto anual de prevenção ao suicídio e às doenças mentais, que alcança milhares de pessoas, pela internet, no Brasil. No entanto, na atualidade, o estigma consolidado acerca das doenças mentais coloca em risco a homeostase da mente de grande parte da população, já que esta situação prejudica a ação individual e o âmbito coletivo. Nesse contexto, há importantes fatores a serem considerados, como a escassez de políticas públicas e a omissão escolar quanto à saúde mental. Em primeiro plano, o descaso dos governantes com o bem estar mental dos cidadãos prejudica a formulação de políticas públicas adequadas. Nesse viés, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, anomia é a ausência ou a insuficiêcnia de instiuições que regulamentem a vida em sociedade. Nesse sentido, a ineficiência do Estado em oferecer serviços públicos relacionados à saúde da mente pode ser entendida como anômica, uma vez que as decisões estigmatizadas nos investimentos de saúde geram prejuízo para aqueles que necessitam de psicólogos e psiquátras no cotidiano. Consequentemente, pessoas que buscam acompanhamento enfrentam adversidades, como filas e escassez de profissionais. Ademais, a ineficiência escolar em formar cidadãos emocionalmente preparados forma adultos que estigmatizam as doenças da mente. Nessa ótica, segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a “educação bancária” é aquela que foca no depósito de conhecimentos, desconsiderando as necessidades do aluno. Nessa perspectiva, a manutenção do conteudismo, crença escolar na prevalência de conhecimentos clássicos, como a matemática, é prejudicial para a formação de cidadãos preparados para lidar com as emoções, já que estas são igonoradas no método criticado por Freire. Em razão disso, grande parte da população, ainda que formalmente educada, mantém estigmas prejudiciais para sí e para a comunidade. Portanto, medidas são necessárias para alterar a situação das doenças mentais no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve estimular o tratamento de doenças mentais, por meio do aumento no número de clínicas especializadas no tratamento da depressão e da ansiedade, as quais, de acordo com a OMS, atingem milhões de brasileiros, com o objetivo de aumentar o número de antendimentos. Além disso, as Prefeituras devem buscar a garantia do bem estar mental nas escolas, por meio de visitas periódicas, com a ação de psicólogos e psiquiátras na informação dos alunos sobre as doenças e os tratamentos mentais, com o fito de diminuir o preconceito sobre esses acompanhamentos.