A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 10/03/2021

Na Alemanha nazista da Segunda Guerra Mundial, crianças com doenças mentais eram assassinadas, por serem taxadas como “doentes incuráveis” e indignas de viver. Na contemporaneidade, tal barbárie não acontece mais, porém há grande dificuldade associada ao entendimento da saúde psíquica que reverbera na sociedade brasileira. Problema esse ocasionado não só pelo preconceito ainda existente, mas também pela falta de atenção do Estado à questão.

Em primeira análise, é evidente o quanto grande parcela das pessoas exclui, ao invés de acolher, indivíduos que desenvolvem doenças psicossomáticas. Nesse contexto, tal situação se relaciona com o conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Um exemplo disso é a discriminação aos transtornos psiquiátricos, muitas vezes rotulados como “frescura”, o que dificulta sua identificação e tratamento eficaz. Afetando, dessa forma, diretamente, nas relações interpessoais do doente – motivo de afastamento de muitos brasileiros do seu ambiente de trabalho. Fato que é tão preconceituoso quanto os homicídios praticados na Segunda Guerra mundial, apenas mais dissimulado.

Em segunda análise, é possível perceber a inobservância estatal perante indivíduos portadores de transtornos mentais, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições de saúde a implantação de campanhas de prevenção e tratamentos eficazes à longo prazo – que promovam a saúde mental. De acordo com Habermas, incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e caminhar junto. Nesse contexto, a frase do filósofo alemão demonstra que enquanto o Estado e os órgãos de saúde não derem maior visibilidade e assistencialismo necessário para as pessoas que lotam os hospitais psiquiátricos, os afetados continuarão sofrendo - sem à medicação necessária , a título de exemplo - o que continuará fomentando o aumento desse problema que atinge toda a sociedade.        Portanto, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave supracitado. Para isso, é imperativo que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, introduza a disciplina de “inteligência emocional” - como obrigatória -  incluindo atividades extras como “worshops” e palestras que debatam acerca do entendimento, tratamento e medidas de prevenção de doenças mentais - desde a infância. Em adição, cabe ao Conselho Federal de Psicologia ampliar o cadastramento de psicólogos no “E-PSI”, programa que possibilita a realização de atendimento on-line, à distância, através da internet, para que a discussão acerca dos traumas pssicossomáticos seja cada vez mais recorrentes, de modo a mitigar efetivamente a sua ocorrência.