A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 30/03/2021

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. Entretanto, no Brasil, o debate, principalmente em relação aos transtornos mentais, se vê elitizada e concentrada apenas no grandes centros. Desse modo, dois aspectos importantes se destacam: a infraestrutura precária da clínica em regiões afastadas dos grandes centros e o preconceito social contra pessoas com deficiências mentais.

Primeiramente, é indubitável que existe  uma desigualdade gigantesca em relação à distribuição de clínicas no território brasileiro, em vista que a maioria está localizada nos grandes centros urbanos. Segundo dados do portal G1, cerca de 70% das cidades brasileiras não possuem hospitais psiquiátricos para o tratamento de doenças mentais, o que explicita a realidade da clínica nacional: o hospital é, hoje, um privilégio metropolitano. Dessa forma, evidencia-se a carência estrutural e a falta de incentivo à expansão  da clínica psiquiátrica para as regiões mais afastadas.

Outrossim, é notório o preconceito social contra indivíduos com transtorno mental, como impulsionador da problemática. Nesse sentido, ganha relevância a perspectiva de Oscar Wilde, escritor irlandês, ao defender que o descontentamento é o primeiro passo para evolução social, por isso uma nação precisa de alternativas eficazes para reverter esse cenário de intolerância que prejudica muitas vidas. Sendo assim, fazem-se necessárias políticas que busquem a necessidade de debater as deficiências mentais, de forma que a ótima realidade apresentada por Oscar Wilde seja valorizada no Brasil.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente a ausência de debater as deficiências intelectuais, seja no aspecto social, seja no estrutural. Nesse prisma, cabe ao Ministério da Educação(MEC), em parceria público-privada, incentivar a construção de hospitais psiquiátricos por meio de um acordo de isenção fiscal progressiva relativa à distância da cidade em relação aos grandes centros urbanos, a fim de que a clínica especializada em saúde mental se expanda para todo o território brasileiro e possa a chegar nas áreas mais remotas do país. Além disso, o Governo Federal deve ampliar a Lei da reforma psiquiátrica para garantir os direitos e proteção das pessoas com transtorno mental, independentemente da orientação sexual, religião, idade e recursos econômicos, com o intuito de promover o acesso de todas as classes e de todas as faixas etárias. Somente assim, agiremos de acordo com o Sartre e nos aproximamos da realidade de Wilde.