A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 30/03/2021
Na obra “O Alienista”, o célebre escritor Machado de Assis expõe a realidade vivida dentro de um manicômio e como a sociedade brasileira do século XIX relacionava-se com os indivíduos que possuíam doenças mentais. Nessa lógica, no hodierno cenário brasileiro, apesar de alguns avanços, é notório que ainda há veementes casos em que os portadores de problemas psiquiátricos são ridicularizados e mal compreendidos. Logo, isso ocorre, ora pela falta de empatia da população, ora pela inação do governo para combater a marginalização dessas pessoas. Por conseguinte, é inexorável que haja o debate a fim de auxiliar as vítimas de transtornos psicológicos e emocionais.
A princípio, convém ressaltar que a visão de que doenças como depressão e ansiedade são apenas “frescuras” está enraizada na sociedade brasileira e é consequência da má formação socioeducacional, porquanto tanto as escolas quanto às famílias não ensinam a compreensão que se deve ter em relação a outros indivíduos. Dessa maneira, é possível comparar o citado com o livro norte-americano “Flores para Algernon”, no qual se descreve a vida de um personagem com retardo mental, que acaba tendo que lidar com a ansiedade e a insegurança advindas dos comentários maldosos que esse recebia apenas por ser diferente.
Ademais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 86% dos brasileiros apresentam algum tipo de transtorno mental, que muitas vezes é oriundo do estresse dos centros urbanos. Além disso, o “Market Analysis” revelou que apenas 2% dos adultos fazem psicoterapia, atualmente. Desse modo, é notável que a maior parte da população adulta não realiza nenhum tratamento por falta de tempo ou por não ter condições de arcar com um profissional. Portanto, percebe-se que a esfera governamental deveria buscar oferecer mais serviços gratuitos de terapias para aqueles que mais necessitam.
Urge, pois, medidas que possam auxiliar indivíduos com doenças mentais. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente, com o Ministério da Educação, os quais são órgãos responsáveis pela formação socioeducacional dos brasileiros, realizar a conscientização acerca da empatia com portadores de tais enfermidades e de como ajudá-los, por meio de aulas e campanhas nas escolas, para que assim os jovens aprendam a importância da gentileza ao próximo. Outrossim, é imperioso que o Ministério da Saúde cumpra com o assegurado na Constituição federal de 1988, a qual garante aos brasileiros a assistência à pessoas com transtornos mentais, através da disponibilização de mais psicólogos e psiquiatras para os cidadãos. Assim, a sociedade brasileira tornará-se mais receptiva.