A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 16/09/2021

Em 1988, representantes do povo reunidos em assembleia Constituinte instituíram um estado democrático de direito, a fim de assegurar a saúde como valor supremo de uma sociedade fraterna. Contudo, tal diretriz não é exercida de forma factual, posto que as doenças mentais perduram na vida de substancial parcela do país, impossibilitando, dessa forma, o bem-estar físico e mental dos brasileiros, já que o conceito de saúde vai além da ausência de doenças. Com efeito, para superar o estigma relacionado a esse problema, há de combater a indiferença da sociedade, bem como a ineficiência do Estado.

Diante desse cenário, cabe destacar a ignorância de parte dos indivíduos em relação às doenças psíquicas. A esse respeito, Zygmunt Bauman, filósofo contemporâneo, dissertava que os seres humanos estão se tornando individualistas. Nesse contexto,  parcela da população tem preconceito em relação a quem sofre com transtornos psicológicos, ou seja, há uma falta de empatia para compreender que as doenças mentais, especialmente ansiedade e depressão, são sérios problemas, haja vista que esses fatores são a segunda causa de afastamento de trabalho no mundo, segundo a (OMS). Dessa forma, evidencia-se o quanto é interessante a superação do individualismo e reconhecimento dessas doenças como legítimas para que pessoas busquem assistência sem medo de serem julgadas.

Ademais, vale ressaltar a ineficácia do Estado em garantir um direito imprescindível para sua nação: o bem-estar psíquico. Sobre isso, de acordo com John Rawls, filósofo político, esse fato configura uma quebra de contrato social, uma vez que a partir do momento em que os cidadãos seguem leis impostas pelo Estado, este deve, em contrapartida, ceder direitos básicos - dentre eles, a saúde - o que não ocorre no Brasil. Sob essa ótica, os brasileiros são obrigados a conviver sem ações governamentais eficientes que diminuam os casos de transtornos psicológicos, prova disso são os dados da OMS que demonstram o Brasil no segundo lugar que mais tem depressão na América Latina. Desse modo, percebe-se o quão é prejudicial a ausência do Estado e a relevância de amparar a coletividade.

Depreende-se, portanto, a necessidade do Brasil superar o estigma relacionado às doenças mentais. Para isso, o Ministério da Educação deve desconstruir o preconceito dos indivíduos, por meio de projetos pedagógicos que abordem a temática de doenças mentais e a importância de procurar ajuda, a fim de ultrapassar barreiras da desinformação na sociedade. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve fornecer auxílio psiquiátrico para toda população, por meio da disponibilização de psiquiatras e psicólogos nos postos de saúde nos dias úteis da semana. Isso teria a finalidade de dar suporte àqueles que precisarem. Destarte, o que está Constituição  deixará, em breve, de ser teoria.