A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 03/11/2021

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante o acesso igualitário do cidadão brasileiro aos serviços de saúde e bem-estar. Entretanto, mesmo diante da nítida necessidade de debater as doenças mentais hodiernamente, nota-se uma bifurcação nas promessas constitucionais, pois a omissão da sociedade e a indiligência estatal configuram o entrave desse quadro, o qual urge ser combatido.

Sob esse prisma, é imperativo pontuar que o debate acerca das doenças mentais, como a ansiedade e a depressão, deveria ser popularizado nos diversos setores sociais, como escolas e ambientes laborais. Contudo, essa prática mostra-se tímida no cotidiano do povo tupiniquim, pois a omissão da sociedade, aliada à alarmante falta de empatia, intensifica o individualismo, negligenciando o bem-estar social. Nesse sentido, no livro ‘‘Raízes do Brasil’’, do escritor Sérgio Buarque de Holanda, o autor disserta acerca da cordialidade do brasilerio, o qual valoriza o individualismo, em detrimento da coletidade, análogo ao atual contexto da falta de debate sobre as patologias mentais. Dessa forma, é substancial a mudança desse quadro, a fim de criar métodos para o profícuo debate sobre tais doenças.

Simultaneamente, a indiligência estatal no que tange a políticas assistencialistas configura mais um impasse para a solução dessa questão. Para entender tal apontamento, segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, o Estado é uma figura forte e poderosa, o qual tem o dever de zelar pela segurança dos cidadãos por intermédio de um contrato social. No entanto, esse benefício não é evidente para aqueles que sofrem com doenças mentais, porquanto o Estado não investe em recursos para ajudar aqueles que precisam, uma vez que muitas populações de baixa renda carecem de alternativas financeiras para pedir auxílio profissional, como consultas a psicólogos. Logo, evidencia-se, um cenário grave de desigualdade social no Brasil, pois, enquanto a elite privilegiada não depende do Governo para seu autocuidado, existe uma parcela da sociedade que clama por visibilidade e auxílio.

Portanto, diante dos desafios supramencionados, é imperioso que o Ministério da Saúde destine verbas e investimentos para a montagem de grupos de psicólogos que estejam dispostos a visitar escolas e redes laborais, com o fito de entrevistar os estudantes e os trabalhadores para promover consultas gratuitas para aqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade social. Isso deve ocorrer mediante um pacote de ações orçamentárias a ser incluído no Plano Plurinual. Ademais, é mister que a mídia desenvolva campanha informativas para que a populção seja elucidada acerca dessas patologias e que possa trabalhar a empatia. Quiçá, nessa via, as promessas constitucionais serão vultosamente usufruídas pela população verde-amarela.